sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Petrônio Gomes

Foto reproduzida do Facebook/Petrônio Gomes

Texto publicado originalmente no Facebook/Luiz Araújo, em 10 de fevereiro de 2018

Petrônio Gomes
Por Luiz Araújo

Conheci Petrônio Gomes ainda como colega no Banco do Brasil. Logo no primeiro contato, percebi que estava diante de uma personalidade extraordinária, uma enciclopédia de conhecimentos! Trabalhava calado, não jogava "conversa fora" mesmo nos intervalos! Aconteceu que Deus me deu o dom de fazer as pessoas falarem sobre seu mundo interior! Sempre conseguia uma forma de arrancar uma ligeira conversa c Petrônio. Aprendi muito com esses "papos". 

Nas várias emissoras por onde passou, deixou a sua marca de um radialista de escolas. Os programas que produzia e apresentava cativam os ouvintes. Foram lições que formaram uma geração de radialistas! Uma dicção perfeita, um português burilado sem deixar a simplicidade eloquente. 

Uma voz clara e cheia de doçura. Atraente, cativante. Um católico fervoroso, um humanista sem par, um cronista que nos alimentava com a esperança de que é possível criar um mundo. Um memorialista que conhecia as belas coisas do passado que não podem morrer. Era sincero e ousado em suas apreciações, utilizando a ironia em sua forma mais perfeita! Fez parte da equipe do Programa Sementes Musicais patrocinado pela Sofise. Programas que ficaram na memória! Amante dos "clássicos" da música e da literatura, conhecedor da obra dos grandes compositores, dominava a grande música popular e a história de seus criadores. Sempre gostei de enviar comentários sobre as suas ricas postagens! Um "gentleman" que me enviava um retorno que me estimulava, fazendo referência ao meu Programa na Rádio Aperipê! Uma grande honra para mim! O porto natural da vida é a morte, a vida em comunhão com o Criador! Petrônio deixou um vácuo imenso na Cultura de Sergipe e um abismo enorme na alma das pessoas que o conheceram! Tenho a revelar que alguma das minhas paixões se foram com ele… 

Por outro, personagens desse naipe nunca "morrem", apenas desaparecem de nosso horizonte material, pois permanecem para sempre como se estivessem vivos, no Universo de nossa imaginação! Minha solidariedade aos familiares e amigos de " un' uomo d'oro". 

Deus o tenha em sua maior glória!

Texto reproduzido do Facebook/Luiz Araújo

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Lilian Rocha, comunica o falecimento de seu pai, Petrônio Gomes (10/02/2018)


"Toda história de amor tem que ter um final feliz. 

Hoje de madrugada, Nosso Senhor levou meu pai, do jeitinho que eu tinha pedido a Ele, dormindo. 

Sem fazer barulho, Ele o recolheu em Seus braços e o levou ao encontro de minha mãe.

Agora eles estão juntos novamente.

E como numa grande história de amor, vão continuar felizes.

Para sempre". (Lilian Rocha).

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Post de Lilian Rocha, comunicando em seu perfil no Facebook, o falecimento de seu pai, Petrônio Gomes. Foto reproduzida do Facebook/Petrônio Gomes.

Publicação no Facebook > http://bit.ly/2Eky8Qk

Petrônio Gomes

Foto reproduzida do Facebook/Petrônio Gomes, 
postada pelo blog "SERGIPE..."

Texto publicado originalmente no Facebook/ Amaral Cavalcante, em 10/02/2018

Petrônio Gomes

Por Amaral Cavalcante.

Foi-se, para a ansiada vida eterna ao lado do Cristo e da mulher que amava, o maior cronista da vida sergipana. Petrônio Gomes era uma referência de perspicácia e apuro literário que tocou minha adolescência, ainda em Simão Dias. De ouvido pregado na excelente Rádio Cultura de antigamente eu ouvia, religiosamente, sua voz dolente declamar as crônicas poéticas que escrevia com cuidadosa elegância sobre fatos da vida sergipana e jurava um dia conhecê-lo para que ele soubesse que até nos rincões do esturricado sertão sergipano sua voz era ouvida e guardada com amorosa dedicação.

Ao me mudar para Aracaju, na primeira metade dos anos 1960, trouxe o firme propósito de conhecê-lo pessoalmente mas tanto enveredei pelos caminhos da rebeldia juvenil - característica daqueles tempos lisérgicos – que fui deixando para depois o nosso encontro, temendo que a firme religiosidade católica do cronista não aceitasse a minha iconoclastia juvenil. Somente agora, por ocasião da formatação da Revista Cumbuca, curti a emoção de visita-lo para externar minha cultivada admiração e receber a devida autorização para publicar, na revista, duas das suas crônicas imorredouras.

Petrônio merece agora, cujo passamento tornará evidente a falta do seu estro, a publicação de uma Seleta das suas melhores crônicas, remetendo ao futuro em nossas empobrecidas estantes a genialidade sergipana provada em tantos anos de apaixonado labor.

Foi-se o mestre, que fique eternizado o amor que lhe dedicamos e a unânime reverência que lhe prestamos.

Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Morreu, aos 89 anos, o radialista e bancário Petrônio Gomes


Por F5 News

Morreu, aos 89 anos, na madrugada deste sábado (10), o radialista e bancário Petrônio Gomes, em Aracaju. Profissional que marcou a história da comunicação sergipana nas ondas do rádio.

Gomes estava em casa, onde fazia tratamento para problemas de saúde e faleceu enquanto dormia.

O radialista teve sua história na comunicação marcada pela passagem por vários anos na rádio Aperipê AM.

Também publicou crônicas em vários jornais de Sergipe, mostrando sua vertente pela escrita.

O corpo de Petrônio Gomes está sendo velado no Osaf, de onde seguirá à tarde para sepultamento no cemitério Colina da Saudade, às 17 horas.

Texto e imagem reproduzidos do site: f5news.com.br

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Conjunto "Os Invíctus"

"No comecinho… Zé Paulo (baixo), Néry (guitarra solo) Marcos Fontes (guitarra base)
 e Pascoal Maynard (bateria). Na foto: os gêmeos, Heldinho e Gari, 
além de Jorge Guerreiro". (Pascoal Maynard).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Pascoal Maynard.

Jornalista Orlando Dantas, quando jovem

“Como estou revirando o baú da família, uma foto 3x4 do meu avô materno Orlando Dantas, com toda a sua elegância. Deveria ter lá os seus 18 anos então”. (Paulo Roberto Dantas Brandão).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Comendador Francisco Correia Dantas


"O Comendador Francisco Correia Dantas, senhor dos Engenhos Vassouras e Môco. Avô do meu avô. Pai de Manoel Correia Dantas, que era pai de Orlando Viera Dantas, que era pai de Yêda Dantas Brandão, minha mãe. Portanto meu tataravô. Era Comendador da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, e por isso era conhecido como "O Comendador". A crônica familiar o coloca como uma pessoa extremamente formal, que ficou órfão cedo e viúvo também relativamente cedo. Do acervo da família que estou a digitalizar". (Paulo Roberto Dantas Brandão).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

D. Fausta Andrade Vieira e José Vieira de Andrade

"Meus tataravós maternos. D. Fausta Andrade Vieira e José Vieira de Andrade, do Engenho Porto dos Barcos, em Riachuelo. Eram pais de minha bisavó, Adelina Vieira Dantas, D. Nenê, avós de mau avô Orlando Dantas, e bisavós de minha mãe, Yêda". (Paulo Roberto Dantas Brandão).

Texto e imagens reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

Clique no link para acessar post original e comentários > http://bit.ly/2Eemc5C

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Livro de memórias de Padre Jerônimo Peixoto



Publicado originalmente no site do Portal Infonet, em 25/11/2004 

Livro de memórias de Padre Jerônimo Peixoto 

Nascido no povoado do Cajueiro, no município de Itabaiana, o Padre Jerônimo Peixoto acaba de lançar seu primeiro livro, “Memórias de um Cajueiro”. Ordenado sacerdote no ano de 1997, Padre Jerônimo se formou em Filosofia e Teologia no Estado de Minas Gerais.

Nascido no povoado do Cajueiro, no município de Itabaiana, o padre Jerônimo Peixoto acaba de lançar seu primeiro livro, “Memórias de um Cajueiro”. Ordenado sacerdote no ano de 1997, padre Jerônimo se formou em Filosofia e Teologia no Estado de Minas Gerais. Assim que retornou a Sergipe, se tornou padre dos municípios de Siriri, Divina Pastora e, posteriormente, assumiu a Coordenação Arquidiocesana de Pastoral.

A convite do bispo Dom Lessa, padre Jerônimo assumiu, há quatro anos, a Catedral Metropolitana. Além disto, leciona a disciplina Doutrina Social da Igreja no Seminário Arquidiocesano, e na escola de Teologia para os Leigos, onde também ministra o curso de Teologia Moral. Confira a entrevista realizada pelo Portal InfoNet com o padre e descubra o lado escritor deste homem que vive a serviço da fé.

PORTAL INFONET - Do que trata o livro?

PADRE JERÔNIMO PEIXOTO -  Como o próprio título diz, este é um livro de memórias. São relatos reais e, também, fictícios, de um povo que viveu no pequeno vilarejo no município de Itabaiana chamado “Povoado do Cajueiro”. Lá, inclusive, foi onde viveu minha família e também onde passei parte da minha infância. É uma literatura rica em regionalismo, produzida de forma lírica e com pitadas de humor, deixando a leitura leve e agradável, já que o objetivo desta produção literária foi o de passar uma mensagem de esperança, incentivado as pessoas a perceberem que através da luta existe a possibilidade de se conseguir a vitória com bastante dignidade.

INFONET – Como surgiu o interesse do senhor pela literatura?

JP - Sempre gostei muito de literatura, mas nunca me dediquei a isso. Há três anos comecei a me dedicar a esta paixão, passando para o papel algumas idéia que tive. Começou como uma brincadeira e acabou ficando sério, ocasionando a produção deste livro, que é uma obra muito simples, apenas um romance de memórias de alguém que viveu em um cidade do interior.

INFONET – Por ser padre, o senhor tem uma religiosidade bastante aguçada. No livro isto é perceptível?

JP - A religiosidade no livro é retratada de forma bastante objetiva, no sentido que as pessoas que compõem a história eram marcadas pela religiosidade popular e pelo catolicismo da época retratada - no caso de 1870 até os dias atuais. As pessoas eram católicas e isto é retratado, mas de minha parte não é citado nada. Nem sobre minha espiritualidade, nem sobre minha relação com a igreja, até porque este não foi um livro escrito com este intuito.

INFONET - Na última segunda-feira aconteceu o lançamento de “Memórias de um Cajueiro”. Como o senhor percebeu a receptividade do público sergipano?

JP - Muito bem. Cerca de 200 pessoas estiveram presentes, entre autoridades, personalidades e escritores da Literatura Sergipana. Mas sei que a cultura local não é valorizada e, também sei, do árduo trabalho que há para divulgar o que se é produzido na área cultural no Estado. Seja na literatura, nas artes plásticas ou na música. O sergipano não foi educado para valorizar o que é da terra, e sim o que vem de fora.

INFONET - Tudo bem que o seu primeiro livro acaba de ser lançado. Mas já existe algum outro projeto guardado ou ao menos a idéia de um?

JP - É muito cedo ainda para falar sobre isso. Ainda estou esperando saber como meu primeiro livro será aceito. Não pretendo parar de escrever, por que gosto da coisa. Mas se irei publicar algo, isto só dependerá dos resultados desta primeira produção, que espero que tenha um respaldo positivo.

Por Theo Alves.

Texto e imagens reproduzidos do site: infonet.com.br

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Gilvan Rocha, Um fenômeno eleitoral

Foto reproduzida do site wikimedia e postada
 pelo blog "SERGIPE, sua terra e sua gente".

Texto publicado originalmente no site SERIGY, em 01/09/2006

Senado IXGilvan Rocha, Um fenômeno eleitoral
Por Luiz Antônio Barreto

Ao ser fundado em Sergipe, em 1966, o Movimento Democrático Brasileiro – MDB, reuniu apenas um político com mandato, o então deputado federal José Carlos Teixeira, eleito em 1962 pelo PSD. Os três senadores e os sete deputados federais preferiram ingressar na Aliança Renovadora Nacional – ARENA. Intelectuais, professores, estudantes, profissionais liberais, em grande número, aderiram ao MDB, mas poucos aceitaram candidaturas pelo novo partido, que tinha no País a função de cumprir um arremedo democrático de buscar a alternância do Poder, como oposição. As regras do jogo de cartas marcadas permitiam a competição, mas presumia a derrota dos oposicionistas.

A eleição de 1966 foi um grande teste. Para o Senado concorreram Leandro Maciel, velho líder udenista, fortalecido pelas forças militares que tomaram o Poder em março de 1964, pela ARENA, e o empresário Oviêdo Teixeira, pelo MDB. Cerca de nove mil votos separaram os dois candidatos, com a vitória de Leandro Maciel. Em 1970 repetiu-se a candidatura de Oviêdo Teixeira, enfrentando Augusto Franco, que era deputado federal, e Lourival Baptista, que saía do Governo do Estado.

Oviêdo Teixeira perdeu por 13 mil votos, aproximadamente, para Augusto Franco e por quase 22 mil votos para Lourival Baptista. O MDB insistiu em apresentar candidato a senador em 1974, mas não contou com Oviêdo Teixeira, que preferiu ser candidato a deputado estadual, elegendo-se. Nem contou com seus quadros, que preferiam disputar mandato para a Câmara Federal, como José Carlos Teixeira, que naquele ano reconquistou uma cadeira de deputado federal.

A ARENA escalava sua principal liderança, Leandro Maciel, que queria permanecer por mais 8 anos como senador. O MDB não tinha estrelas, até que surgiu um candidato, o médico e professor João Gilvan Rocha, que na juventude, formava ao lado do pai, José da Rocha, como um leandrista apaixonado, em Própria, sua terra natal. Os dirigentes do MDB não acreditaram na candidatura de Gilvan Rocha, mas aceitaram, por falta de opção, que ele enfrentasse Leandro Maciel.

No dia do lançamento da candidatura de Gilvan Rocha, quando ele apresentou um pequeno Manifesto, a sala do MDB contava com seis ou sete pessoas, mas isto não intimidou o candidato. A campanha começa, ganha corpo, toma as ruas de Aracaju e penetra, pouco a pouco, no interior. De um lado, a ARENA acomodava os líderes dos velhos partidos, em torno de um candidato que era, na verdade, um divisor de água, um chefe à antiga, do outro lado o MDB utilizava o rádio e a televisão, instrumentos novos nas campanhas eleitorais, para o enfrentamento.

O resultado eleitoral surpreendeu o Estado. Gilvan Rocha venceu Leandro Maciel, em Aracaju, com cerca de 77% dos votos, botando uma vantagem de aproximadamente 30 mil votos, contra 15 mil, mais ou menos, favoráveis a Leandro Maciel. Gilvan Rocha foi eleito senador da República, com mais de 103 mil votos, contra 86.611 votos dados a Leandro Maciel.

A vitória do MDB estaria incluída na avalanche de votos que o Brasil deu à oposição, em 1974. As vitórias do MDB em 14 Estados levaram o presidente Ernesto Geisel a criar a figura do senador indireto, ou “biônico”, premiando amigos nos Estados e garantindo ao partido governista um terço das cadeiras do Senado Federal.

No Senado Federal, Gilvan Rocha brilhou com seu talento, fala fácil, capacidade de argumentação, preparo e atualização política. Liderou o MDB, esteve por algum tempo no PP – Partido Popular fundado por Tancredo Neves e outros políticos para apressar a abertura democrática, sendo líder do partido no Senado, voltou ao MDB/PMDB, cumprindo um mandato irrepreensível como representante do Estado de Sergipe, chegando a 2º Vice presidente da Casa, integrando importantes Comissões, presidindo ou relatando Comissão de Inquérito do MOBRAL, da Mulher, e representando o Senado em eventos internacionais.

Nascido em Própria, em 26 de agosto de 1932, estudou no Colégio Ateneu, em Aracaju, na Faculdade de Medicina da Bahia, especializando-se em Ginecologia, fazendo pós –graduação em Oncologia, no Instituto de Ginecologia de Lisboa. Clínico e cirurgião do Hospital Santa Isabel, em Aracaju, professor da Universidade Federal de Sergipe, publicou diversos trabalhos sobre a função oposicionista no Brasil e abordando temas que pautaram a sua atuação no Senado Federal.

Artista plástico, chargista de jornais locais, Gilvan Rocha ingressou na Academia Sergipana de Letras, ocupando a Cadeira 35, fundada e muitos anos ocupada pelo também médico e senador constituinte Augusto César Leite.

Texto reproduzido do site: clientes.infonet.com.br/serigysite

domingo, 28 de janeiro de 2018

Fernando Figueiredo Porto

Foto reproduzida do Portal Infonet e postada pelo blog SERGIPE...

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 01/07/2011 

REGISTRO: O centenário de Fernando Porto (2011)

Aracaju tem muitos filhos notáveis. Um deles é um filho adotivo.

Por Samuel Barros de Medeiros Albuquerque.
Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe
E-mail: samuelalbuquerque@ufs.br

Aracaju tem muitos filhos notáveis. Um deles é um filho adotivo.

Fernando Figueiredo Porto nasceu em Nossa Senhora das Dores, Sergipe, em 30 de maio de 1911. Muito cedo fez de Aracaju a sua casa. Aqui estudou. Alçou voo para Minas Gerais, onde se formou em Engenharia; regressou. Ocupou cargos públicos importantes, foi professor da antiga Escola Técnica Federal, da Faculdade Católica de Filosofia e da Universidade Federal de Sergipe. Mas seu legado de professor e homem público divide importância com outra herança: sua obra.

Em reconhecimento ao seu legado, na tarde de 30 de maio de 2011, foi realizada uma sessão conjunta do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, da Academia Sergipana de Letras e da Prefeitura Municipal de Aracaju, em homenagem ao centenário de nascimento de Fernando de Figueiredo Porto (1911-2005). Estiveram presentes muitos sócios e diretores do IHGSE, membros da Academia Sergipana de Letras e do Movimento de Apoio Cultural Antônio Garcia Filho, familiares e amigos de Fernando Porto, além de autoridades como o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira; o prefeito de Nossa Senhora das Dores (terra natal de Fernando Porto), Aldon Luiz dos Santos; o secretário adjunto da Cultura, Marcelo Rangel, representando o governador do Estado. Também compareceram a vereadora Miriam Ribeiro, representando a Câmara Municipal de Aracaju; a desembargadora Aparecida Gama, representante do Tribunal de Justiça de Sergipe; e Josué Modesto dos Passos Subrinho, reitor da Universidade Federal de Sergipe.

A Prefeitura de Aracaju concedeu ao homenageado (post mortem) a comenda da Ordem do Mérito Serigy. Após o discurso emocionado do filho de Fernando Porto, o engenheiro e professor Rodrigo de Melo Porto, a solenidade deu espaço à palestra do Prof. Dr. Alexandre Felizola Diniz (UFS), intitulada Fernando Porto, vida e obra. Na sequência, os presidentes do IHGSE e da ASL entregaram ao prefeito de Aracaju a segunda edição de “Alguns nomes antigos do Aracaju”, obra do homenageado, cuja primeira edição já estava esgotada.

Alguns nomes antigos do Aracaju é um dos mais importantes registros acerca de história da vida urbana em Sergipe. É, também, um documento/monumento que reafirma a identidade do aracajuano. Assim como José Calasans e Mário Cabral, Fernando Porto ajuda-nos “a carregar o andor da estima ao Aracaju”.

Nas páginas escritas por ele, acompanhamos a procissão de Bom Jesus dos Navegantes, andamos pela concorrida Rua do Barão (atual João Pessoa), pelas praças, mercados, teatros, cinemas, bares de um Aracaju que já se transformou, mas que ainda preserva bens culturais que nos foram legados e com os quais nos identificamos.

Sua obra também é um grito contra “sanha mutatória que se abateu sobre Aracaju”, pois, segundo o autor, o aracajuano é um forte triturador de topônimos, um grande apagador da       memória.

Também encontramos em Porto uma importante análise da história da arquitetura em Sergipe, atentando inclusive para as influências externas, como a dita “Missão italiana”, ou a “arquitetura delirante” de profissionais como o alemão Altanesch.

É preciso dizer que a confrade Ana Maria Fonseca Medina foi quem mais se empenhou para que a solenidade e a reedição do livro acontecessem. Medina, falando em nome do IHGSE e da ASL, buscou parceiros para tais feitos e tomou quase todas as iniciativas. No Banco do Estado de Sergipe, contando com a sensibilidade de Maria Avilete Ramalho, diretora-superintendente da Banese Corretora de Seguros, a confrade encontrou o patrocínio para e reedição do livro, cuja editoração e impressão ficaram sob a responsabilidade da Gráfica e Editora J. Andrade, em Aracaju.

Fernando Porto foi um dos mais destacados sócios do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Orgulha-nos celebrar o centenário de seu nascimento e presentear as novas gerações de aracajuanos (de nascimento ou adotivos) com a reedição de seu livro.

Aos que já conhecem essa “Geografia da saudade”, uma nova visita será estimulante. Aos que não a conhecem, o convite está feito. A leitura será compensadora.

(Consulte ou adquira a obra “Alguns nomes antigos do Aracaju”, de Fernando Porto, no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Endereço: Rua Itabaianinha, 41. Centro, Aracaju/SE. Telefone: (79) 32148491).

Texto reproduzido do site: jornaldacidade.net

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Foto histórica do Aquivo de Orlando Dantas


"Encontrei essa preciosidade nos documentos de meu avô Orlando Dantas que estou a digitalizar:

Acho que são os secretários indicados para o Governo Francisco Porto, que começaria em 1930, mas não chegou a tomar posse por causa da revolução de 30.

No verso da foto estão indicados os personagens, mas não estão na ordem conforme o retrato, então, na maioria, não sei quem é quem. Os historiados que puderem ajudar, fico grato". (Paulo Roberto Dantas Brandão).

01. Francisco Porto (negociante) – Sentado, no meio, de terno preto.
02. Pedro Freire de Carvalho (capitalista)
03. Humberto Olegário Dantas (jornalista) – Acho que o 2º sentado da direita p/ esquerda
04. Aurelio de Azevedo Barreto(banqueiro)
05. Dr. João Passos Cabral (funcionário federal)
06. Dr. Gothardo Correa de Araujo (médico)
07. Dr. Manoel Marsillac Mota (médico)
08. Dr. Gildo Amado (advogado)
09. Dr. Heribaldo Dantas Vieira (advogado) – Em pé, o 1º da última fila, da esquerda p/direita
10. Mecenas Prado Peixoto (jornalista)
11. Tenente João Tavares Filho (oficial do exército) – possivelmente o 4º sentado da esq p/ dir.
12. Manoel Xaviel de Oliveira (jornalista)
13. Gonçalo Leal (negociante)
14. João Canuto dos Passos (capitalista)
15. Francisco Telles Maciel (Ioió Maciel) (capitalista) – Em pé, na 2ª fila, o 4º da dir p/esq.
16. José Antônio de Lemos (advogado)
17. Carlos Correa (funcionário federal)
18. Manoel Francisco de Ascenção Menezes (agricultor)
19. Alvaro de Souza Britto (negociante)
20. Pedro Diniz Gonçalves (Pedrinho do Brejo) (usineiro) – sentado, o 3º da direita p/esq.
21. José Antônio de Carvalho (industrial)
22. Pedro Rodrigues Lima (negociante)
23. Dr. Octavio do Espírito Santo (funcionário público)
24. Padre Caio Soter Tavares (padre) – possivelmente o 1º sentado à esquerda.
25. Manoel Luiz de Almeida (negociante)
26. José Ribeiro dos Santos (José Ribeiro da Jacoca) (fazendeiro) – 3º em pé da esq. p/dir.
27. Heitor Pais de Azevedo (negociante)
28. Manoel Carvalho Barroso (jornalista)
29. Dr. Mário Silveira Bastos (funcionário público – dentista)
30. Ascendino Ezequiel de Barros (negociante).

Foto reproduzida do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

Clique no Link abaixo, para acessar postagem original no 
facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão > http://bit.ly/2DQuLmW

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

História de Celso de Carvalho merece a nossa homenagem


Publicado originalmente no site jlpolitica-coluna:aparte, em 24 de Jan de 2018

História de Celso de Carvalho merece a nossa homenagem

Por Sandro Andrade*

Ele foi prefeito, deputado estadual, vice-governador, governador e deputado federal. Passou pelo PSD, Arena e PDS. Advogado formado pela Universidade Federal da Bahia em 1946, exerceu o cargo de pretor em vários municípios antes da reforma do Judiciário.

Se vivo estivesse, Sebastião Celso de Carvalho, ou simplesmente Dr. Celso de Carvalho, completaria hoje 95 anos de idade. Com a prisão de Seixas Dória, tornou-se o 36º governador do Estado de Sergipe, administrando de 1º de abril de 1964 a 31 de janeiro de 1967.

Nesse período, teve que conviver com os militares e dispor de muita sabedoria para não entrar em conflito com aqueles que queriam substituí-lo por um indicado pelo regime.

Encerrou a vida pública em 1986, quando decidiu não disputar a reeleição para a Câmara Federal e faleceu em 14 de agosto de 2009, aos 86 anos, após longa luta contra o câncer.

“A política exerce um fascínio grande sobre os homens. Mas ela também é cruel, porque expõe a pessoa. O homem público não pode errar e às vezes é ofendido, caluniado. Isso incomoda muito. Eu mesmo não me importo com as rugas da minha pele, mas me incomodaria muito se tivesse rugas morais. Não tenho mesmo! Sou um homem limpo, graças a Deus!”, disse ele numa entrevista em 2008. Quem muito fez por Sergipe, a nossa eterna gratidão.

* É natural de Frei Paulo e estudante de Jornalismo pela Universidade Federal de Ouro Preto.

Texto e imagem reproduzidos do site: jlpolitica.com.br/coluna-aparte

sábado, 20 de janeiro de 2018

Multiplicadores das riquezas populares sancristovenses

Foto: Danielle Pereira

ESPECIAL CULTURA: 
OS MESTRES QUE ENCANTAM E MULTIPLICAM OS SABERES POPULARES

Multiplicadores das riquezas populares sancristovenses

De Redação - 15 de dezembro de 2017

Multiplicadores das riquezas populares sancristovenses, os personagens que compõem o acervo cultural de São Cristóvão encantam pela beleza, criatividade e importância histórica do que produzem. Todo este trabalho agora também tem o reconhecimento nacional pelo Ministério da Cultura (MinC), por meio do “Edital Culturas Populares 2017”, no qual três personalidades do município foram premiadas.

Jorge dos Santos (Seu Jorge do Estandarte), Nivaldo Oliveira e José Augusto dos Santos (Zé de Obakossou) estão entre os 500 artistas e personalidades nacionais selecionados pelo Ministério da Cultura para receberem o prêmio, que tem como objetivo fortalecer as expressões culturais brasileiras e valorizar quem mantém viva as manifestações populares nacionais. Por transmitir o conhecimento e pelo papel desempenhado no contexto histórico-cultural, o Ministério os concede a titulação de mestre.

Segundo o presidente da Fundação Municipal de Turismo e Cultura João Bebe-Água, Gaspeu Fontes, a premiação reconhece a importância da produção cultural de São Cristóvão no cenário nacional, e dos artistas e personalidades da área, que preservam e difundem as tradições sancristovense.

Gaspeu Fontes 
Foto: Danielle Pereira

“É muito importante para o município ver o trabalho dos seus artistas, a produção do seu povo valorizados. Para nós, sempre o foram, mas agora eles são oficialmente mestre, o que revela a força dos saberes populares.”

O historiador e diretor de Turismo da fundação,Thiago Fragata, explicou que a instituição deu todo o suporte à iniciativa, orientando os interessados sobre o processo de inscrição. Ele defende ser este o papel do poder público: apoiar todas as propostas que valorizam e divulgam as expressões do seu povo.

Thiago Fragata 
Foto: Danielle Pereira

“Esta premiação reforça o potencial cultural de São Cristóvão e destaca os nossos mestres, cujo papel é fundamental para preservar a cultura popular e socializar os conhecimentos”, avaliou Fragata. O diretor fez questão de agradecer toda a equipe da fundação pelo empenho e dedicação. “Fizemos uma verdadeira força-tarefa para que tudo desse certo. Estamos muito felizes e gratificados.”

Das 500 premiações nacionais, 200 são destinadas a pessoas físicas, outras 200 a coletivos culturais sem constituição jurídica, 80 a pessoas jurídicas sem fins lucrativos e com natureza ou finalidade cultural e 20 a herdeiros de mestres já falecidos (In Memorian), em homenagem à dedicação do trabalho voltado aos saberes e fazeres populares e às expressões culturais, com reconhecimento da comunidade onde viveram e atuaram. Cada iniciativa selecionada recebe R$ 10 mil.

Aos nossos mestres, obrigado!

Texto e imagens reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

Mestre Jorge do Estandarte

Foto: Danielle Pereira

Mestre Jorge do Estandarte

“Sigo os caminhos do meu avô
e passo os conhecimentos
para as gerações futuras.”

Nasceu Jorge dos Santos na histórica São Cristóvão, no dia 27 de fevereiro de 1935. Aprendeu folclore na vivência com a família, pai, tio e avô que eram brincantes do Reisado, da Taieiras, da Chegança e do Batalhão, tradicionais manifestações da cultura brasileira, sem esquecer os blocos de Carnaval. Nos anos 1950, já coordenava a saída do Bloco Tira-teima, patrocinado pela fábrica têxtil Sam Christovam S. A. Morou no Rio de Janeiro entre os anos de 1960 e 1989, período em que trabalhou em duas escolas de samba: Acadêmicos do Salgueiro e Bafo de Onça.

De volta à terra natal, dedicou-se às tradições cívicas, religiosas e festejos culturais. Conhecido na cidade como Jorge do Estandarte em razão dos riquíssimos estandartes de alto valor artístico que produz. Coordena o Grupo União do São Gonçalo, que tem sede na própria residência, na sede de São Cristóvão, onde acontecem ensaios regulares de Reisado, Samba de Coco e Batalhão de São João.

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

Mestre Nivaldo Oliveira

Foto: Danielle Pereira

Mestre Nivaldo Oliveira

“Ensinar torna
viva a minha arte”

Entalhador, escultor e xilogravador, Nivaldo Oliveira despertou o interesse pelas artes plásticas aos 14 anos de idade por influência da profissão do pai, que é marceneiro-carpinteiro. Logo entrou no curso de Expressão Plástica (escultura, entalhe, xilogravura) no Museu de Arte Moderna da Bahia.

No mundo das artes, Nivaldo domina as técnicas da escultura, pintura, entalhe, xilogravura e restauração.  Atualmente tem uma diversidade de matrizes entalhadas, com temas voltados para cultura popular que vão do cangaço aos brincantes do folclore, mantendo uma limitação na tiragem.

 As xilogravuras possuem traços próprios, marcantes e ricos em detalhes, que conquistam espaço e reconhecimento na cultura popular.  Além das exposições em diversos espaços culturais, a Editora Oxford comprou os direitos autorais de uma das xilogravuras (o Bando de Lampião) para ilustração de um livro didático do ensino fundamental, publicado no segundo semestre do ano 2015. Mantém um Ateliê no Centro Histórico de São Cristóvão.

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

Mestre Zé de Obakossou (In Memorian)

Foto: Danielle Pereira

Mestre Zé de Obakossou (In Memorian)

'Quando a eternidade falar
mais alto e eu estiver
bem distante, espero
que cada um cumpra
com o seu dever e os
meus ensinamentos'.

O nome de registro é José Augusto dos Santos, mas por todos é conhecido por Zé de Obakossou. Por orientação espiritual, o mestre Zé de Obakossou viajou a Salvador e Rio de Janeiro em busca do aprendizado da Nação Ketu. No retorno a Sergipe, abriu casa em Aracaju, em 1951, e desde então começou um trabalho de difusão e iniciação junto à comunidade dos orixás (Xangô e Oxóssi) e seus respectivos festejos. Ele inaugurou o Axé no Rio de Janeiro, Jardim Leal, Duque de Caxias, em 1963; no conjunto Eduardo Gomes, São Cristóvão, também o Axé Ilé Obá Abassá Odé Bamirê (1986).

Na posição de candomblecista ciente do cuidado ecosófico (cuidado com o espírito,  com os outros e com o meio ambiente), promoveu mudanças em alguns ritos. Uma delas foi evitar uso de plásticos, garrafas e até cerâmica (aguidás) nas oferendas sempre colocada nas margens de rios, nas matas e estradas. Por esta razão é que foi convidado como palestrante para compartilhar suas ideias de preservação da natureza na ECO-92, realizado no Rio de Janeiro, Aterro do Flamengo, em 1992.

O mestre Zé de Obakossou morreu no dia 24 de outubro de 2006 no aeroporto Galeão (Tom Jobim), Rio de Janeiro, em meio a este que foi o grande esforço da sua vida: difundir a cultura Ketu. Ele jogou búzios, lançou cd de canções africanas, publicou o livro “A vida de um babalorixá” e iniciou cerca de 5 mil filhos na Nação Ketu.

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

sábado, 30 de dezembro de 2017

Artista plástico Adauto Machado





Adauto Machado

Adauto Machado nasceu em N. Sra. das Dores, Sergipe - Brasil, em 1950. Aos 14 anos de idade, mudou-se para Aracaju iniciando o contato com artistas da época.

Aos 16 anos já trabalhava como desenhista publicitário, mas o seu grande desejo era tornar-se artista plástico.

No início da década de 70, passou a morar na Bahia onde teve a oportunidade de conhecer vários artistas de renome. Cerca de um ano depois permaneceu por um curto período no Rio de Janeiro e em seguida partiu para a França, residindo durante 4 anos em Paris.

Retornou ao Brasil em 1976 e algum tempo depois foi morar durante um ano e meio em Manitoba, no Canadá. Regressando ao Brasil fixou-se em Aracaju onde montou seu atelier de pintura.

Desde que se iniciou nas artes plásticas, Adauto realizou inúmeras exposições individuais e coletivas não só em cidades onde morou, mas também em outros locais dentro e fora do Brasil.

Sua obra encontra-se espalhada em diversos países e atualmente seu contato com colecionadores é feito principalmente via Internet...

Texto e imagens reproduzidos do site: catalogodasartes.com.br

sábado, 23 de dezembro de 2017

Um dezembro cheio de história


Publicado originalmente no site do jornal Correio de Sergipe, em 18/12/2017

Um dezembro cheio de história

Por Terezinha Oliva

Dois lançamentos, nesta primeira quinzena de dezembro, chamam a atenção para a História e a Memória de Sergipe. O consagrado historiador Ibarê Dantas, no dia do seu aniversário de 78 anos, 06 de dezembro, lançou “Leandro Maynard Maciel na política do século XX”; a acadêmica Ana Maria Medina, no último dia 13, lançou “Crônicas da passagem do século”, de Edilberto Campos, por ela organizadas em nova edição que reuniu os sete volumes originais em um só.

Dezembro chegou, pois, cheio de História. Um desafio para quem se colocar diante das mais de 400 páginas de Ibarê Dantas e as mais de 800 páginas da obra organizada por Ana Medina. Uma boa leitura é a promessa para o leitor que se dispuser ao desafio. Dantas é conhecido pela obra que construiu ao longo de quarenta anos, dissecando a nossa história política republicana, principalmente pelo estudo do Coronelismo, dos movimentos tenentistas e do comportamento da política local durante a vigência do Estado Autoritário no Brasil, instaurado com o golpe militar de 1964. Porém, tornou-se obrigatória também a leitura do seu “Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel (1825-1909) O patriarca do Serra Negra e a política oitocentista em Sergipe”, que o levou ao estudo da política sergipana no Império, cobrindo uma lacuna nos nossos estudos históricos.

Agora, a biografia de Leandro Maciel, ícone da cena política sergipana no século XX, reúne toda a experiência acumulada pelo historiador e vem para procurar responder a indagações que ele se colocara nos estudos precedentes. A opção de estudar “o homem no mundo”, como ele mesmo declara na Introdução, permite um olhar que não se restringe nem se encerra no biografado, levando em conta que sua atuação atravessa vários períodos da política local, de 1926 a, pelo menos, 1974. É meio século da história política de Sergipe, encarada com o cuidado e a responsabilidade de sempre, por um historiador sobejamente reconhecido pela grande contribuição que presta ao conhecimento do nosso Estado, desvendando os caminhos da vida política que tem demarcado a posição de Sergipe no cenário da Federação Brasileira.

As “Crônicas da Passagem do Século” deixam os sete livrinhos simples da edição original, para figurar na robusta e bem cuidada edição organizada pela Acadêmica Ana Maria Medina, com a contribuição de toda a equipe que com ela trabalhou. Sergipe tem memorialistas de peso, como os irmãos Amado (Gilberto e Genolino). Edilberto Campos, com o peso da sua experiência, cosmopolita e sergipana, oferece ao leitor uma bela oportunidade de percorrer diferentes aspectos da sua vivência. Ela está registrada desde os inícios do século XX, naquela fase de uma transição capital, quando reverberavam em Sergipe as transformações provocadas pela mudança de regime político e pela adoção do trabalho livre, chegando até os anos 1950. Ali estão, em linguagem simples, mas atraente, abordagens que revelam um olhar sensível, minucioso, expressando grande capacidade de observação e de amor pelo que o cerca. Além disso, está presente a vida singular de quem acompanhou de perto fatos marcantes da história republicana, como filho e secretário que foi, do Presidente Guilherme Campos, deposto pela Revolta Fausto Cardoso e sobrinho do Senador Olímpio Campos.

É esta preciosidade que Ana Medina torna acessível, confirmando a sua vocação para resgatar importantes expressões da memória, da história e da literatura sergipanas. A Acadêmica já enfocou o poeta Hermes Fontes, o cronista e memorialista Mário Cabral, organizou as “Efemérides Sergipanas” de Epifânio Dória e, com a mesma maestria, lançou-se à organização da obra de Edilberto Campos, ampliando este lado do seu trabalho intelectual, que se completa com obras referenciais como “Ponte do Imperador” e “Trilhando Memórias”.

Este mês de dezembro, já estamos premiados. Temos material para degustar, com prazer, nos primeiros dias do próximo ano. É hora de desejar aos leitores, junto aos votos de Feliz Natal e Feliz Ano Novo, boas leituras, com mais e sempre melhores oportunidades de conhecimento da nossa história e da nossa cultura.

Texto e imagem reproduzidos do site: ajn1.com.br

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

De ‘Cor Nua’, Joubert Moraes em festa

Artes plásticas, música e audiovisual celebram 
os 70 anos de Joubert Moraes.
Foto: Tanit Bezerra

Publicado originalmente no site do Jornal da Cidade, em 20/12/2017 

De ‘Cor Nua’, Joubert Moraes em festa

Numa celebração à vida e obra, o artista de múltiplas artes lança álbum duplo.

Por: Gilmara Costa/Equipe JC

Sem tempo a perder, em tempo de celebrar e no tempo do artista de sensibilidade múltipla, que se fez/faz energia radiante em tela e esculturas, é chegada a hora de irradiar composições restritas a um universo de notívagos na capital sergipana, com ecos pelo país reverberados por amigos persistentes em registrar cada letra ao tom de Joubert Moraes. ‘Cor Nua’ é o primeiro disco dele, que será lançado hoje, 20, às 19h, no Museu da Gente Sergipana, onde também acontece a exposição ‘Joubert 70’ e a exibição do documentário ‘Aracajoubert’, dirigido por Jade Moraes.

A noite será de celebração dos 70 anos de vida e cinco décadas de música, estes consagrados num álbum duplo, com 23 faixas, algumas com gravações de um passado que hoje se faz presente; outras, com releituras presentes assinadas por uma turma que convive, admira e é influenciada pela arte de Joubert. Será o (re) começo de um artista que ‘é o que viveu’ e o que ainda tem por viver.

“São 50 anos de música, de tocar de conhecer muitos artistas. E ‘Cor Nua’ é a letra que escrevi com Maria Cida, que conheci quando estava expondo em São Paulo. E que agora é disco, sem pressa, embora eu tenha tido muitas oportunidades de gravar, ficava sempre adiando. E escondendo as letras, pois não gostava de dar. E agora, nessa celebração, com encontros e reencontros, estou feliz ao redescobrir minhas harmonias, o carinho. A turma fez uma releitura tão bonita que quando vi tocando, os olhos ficaram cheio de lágrimas. É um recomeço, e que vai continuar, estou mais na relação de cantar e o que não se pode perder é tempo”, afirmou Joubert Moraes.

Numa espécie de escultura trabalhada a mais de uma dezena de pares de mãos e feito tela com cores coletivamente pinceladas, o disco duplo foi produzido pelo jovem artista Dudu Prudente, que juntamente com Pedrinho Mendonça comandam marcam a presença no álbum com a percussão. “Joubert é pura emoção e um cara que sempre se fez presente na minha vida, e me espelhei no universo dele. Tivemos uma aproximação há mais de dez anos com o universo musical dele, até então pouco conhecidas, com parcerias incríveis com Mário Jorge, poeta antológico, Bene Fonteles, Alcides Melo e tantos outros. Então, fui sendo tocado pelas composições que nunca haviam sido gravadas, ninguém conhecia aquilo ali, além do universo dele, ali restrito de amigos, as pessoas não conheciam, eram inéditas. E há seis começamos a gravar esse disco”, revelou Dudu Prudente.

Na sede de uma verdadeira desnude do cantor e compositor Joubert, o disco inicialmente projetado para apenas um volume se tornou duplo, com a expressividade sonora de Joubert em voz e violão. “Chegou um momento em que sentimos a necessidade e de colocar muito mais coisa, o disco com banda tem nove músicas, mas tinha mais pérolas que não iam para o disco e que tinha registro há mais de 20 anos, da época que ele ainda tocava violão. E foi assim, que eu e Júlio Rêgo, tivemos a ideia de remixar e remasterizar, fazendo o disco duplo”, explicou.

Dos artistas

Responsável pelos arranjos, o violinista Rodrygo Besteti não esconde a admiração pela sensibilidade sonora de Joubert, tão pulsante quanto a arte expressa através do trabalho com as mãos. “Joubert é uma das escolas da noite aracajuana, é uma figura que dispensa comentários, um cara excepcional das artes plásticas e musical. E a partir do contato com as composições e a pesquisa, gravando e observando ele cantar, fui fazendo os arranjos. Toda música tem uma história, uma poesia por trás e essa ideia musical ele nos deixou bem à vontade. É como se pegasse uma mulher bonita e a deixasse ainda mais linda. Trabalho com esse embelezamento de uma coisa mais existente”, ressaltou.

Para Júlio Rêgo, que já compartilhou de momentos musicais com Joubert Moraes, o lançamento do álbum é uma obra final de uma história ‘cantada’ há anos, à penumbra da manifestação artística de Joubert em telas e esculturas. “É um arremate dos encontros e obra desse artista que é referencial para mim e tantos outros. Ele sempre esteve à frente nas ideias, no que ele fazia. Esse disco foi a oportunidade que tivemos de começar uma história nova de algo que já existia, de clássicos que ouvíamos. E muito da sensibilidade de artista plástico está na interpretação dele, pois, prestando atenção é como se ele estivesse pintando. E se olhar bem como é pintura mesmo, tem uns acordes em que a impressão que dá é de sol maior, mas tem a nuance como uma pintura que você vê a cor de Joubert no quadro, e que não é vermelho e nem rosa, é um pôr do sol. As cores dele são bem assim, ele é muito sutil. Nos quadros de Joubert, ele trabalha muito com a luz. Se você pega um quadro dele, dependendo da luz, muda completamente porque tem muita nuance e a maneira dele interpretar é assim. Existe mil maneiras de fazer arranjos, e esse disco é apenas uma das maneiras”, disse Júlio Rêgo.

Também presente no disco e com o privilégio de ter gravado anteriormente com Joubert Moraes, Tatiana Cobbett, destaca a importância do legado de um artista que tem múltiplas facetas artísticas. “Esse trabalho tem ao mesmo tempo o resgaste, que mexe com essa memória musical da cidade, da qual Joubert é um ícone, pois essa musicalidade dele não é de hoje. Embora o artista plástico fosse bem mais exposto do que o músico, ao seu redor, os jovens artistas sempre reconheceram em Joubert esse potencial. E agora ver outra turma, a terceira geração, retomar essa obra, com uma releitura contemporânea, é maravilhoso. E foi um trabalho feito respeitando o tempo do artista, que se renova e contempla, deixando um legado sonoro para a posteridade”, afirmou.

Texto e imagem reproduzidos do site: jornaldacidade.net