sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Assembleia Legislativa Homenageia a jornalista Ilma Fontes.

Foto reproduzida do site: antoniomiranda.com.br e postada pelo blog
‘SERGIPE, sua terra e sua gente’, para ilustrar o presente artigo.

Texto compartilhado de publicação originária do Portal Infonet, de 24/11/2017

AL Homenageia a jornalista Ilma Fontes.
Por Ivan Valença.

Sessão especial de homenagem à Jornalista Ilma Fontes está programada para 2a feira, a partir das 17h, pela Assembleia Legislativa do Estado. A homenagem é pela passagem dos 50 anos de atividade jornalística daquela que, se fosse seguir a carreira pela qual se formou, seria médica.

 Mas, um belo dia, 50 anos atrás ela se encontrou com o jornalismo e foi mordida pela mosca azul, transformando-se, no jornal “Gazeta de Sergipe”, numa das melhores e mais lidas cronistas sociais da época. Depois é que se dedicou ao mundo das Artes, organizando exposições e mostras fotográficas. 

Por muitos anos foi a curadora das mostras de arte organizadas pelo Legislativo Estadual e mantém um jornalzinho alternativo de boa circulação no Estado, também dedicado ao mundo das artes. Se há uma homenagem merecida certamente é esta dedicada a Ilma Fontes.

O peso da idade não diminui o entusiasmo pela Arte feita por sergipanos para sergipanos.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Biografia de Leandro Maynard Maciel

Foto reproduzida do site: harpyaleiloes.com.br e postada pelo blog
"SERGIPE, sua terra e sua gente", para ilustrar o presente artigo.

Nome: MACIEL, Leandro

Nome Completo: LEANDRO MAYNARD MACIEL

Tipo: BIOGRAFICO

*const. 1934; sen. SE 1935-1937; const. 1946; dep. fed. SE 1946-1955; gov. SE 1955-1959; sen. SE 1967-1975.

Leandro Maynard Maciel nasceu em Rosário do Catete (SE) em 8 de dezembro de 1897, filho de Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel e de Ana Maynard Maciel. O pai, abastado senhor de engenho em Sergipe, foi político militante desde 1871, tendo sido, durante o Império, diversas vezes deputado provincial e deputado-geral; após a proclamação da República (15/11/1889), foi deputado por Alagoas à Constituinte de 1891 e à primeira legislatura do Congresso Nacional (1891-1893), além de senador por Sergipe (1894-1902).

Fez os estudos primários e secundários no Colégio Salesiano de Aracaju e nos colégios Spencer e dos Irmãos Maristas, em Salvador. Ainda estudante, influenciado pela figura de Rui Barbosa, tomou parte, na capital baiana, da Campanha Civilista, movimento que promoveu, entre agosto de 1909 e março de 1910, a candidatura de Rui Barbosa à presidência da República em oposição à do marechal Hermes da Fonseca, afinal eleito no pleito de março de 1910.

Aluno do curso de engenharia da Escola Politécnica da Bahia, representou sua faculdade no Congresso dos Estudantes de Engenharia, realizado no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Ao terminar o curso, em março de 1922, apresentou uma tese que foi depois incorporada ao levantamento de um dos grandes problemas nacionais: O aproveitamento do potencial hidráulico do rio São Francisco na garganta de Paulo Afonso.

Recém-formado, ingressou nos quadros do Ministério de Viação e Obras Públicas, sendo designado para exercer suas funções na Paraíba. Ali trabalhou nas obras do porto da cidade da Paraíba, atual João Pessoa, capital do estado. Transferido para o Rio de Janeiro, trabalhou no Departamento de Portos, Rios e Canais.

Ingressou na política em 1926, com a chegada de Ciro Franklin de Azevedo à presidência de Sergipe. Com a morte deste, em 1927, assumiu o governo o coronel Manuel Correia Dantas, presidente da Assembleia Legislativa, a quem se ligou politicamente, ocupando em seu governo o cargo de diretor do Departamento de Obras Públicas do estado. Em 1929 filiou-se ao Partido Republicano (PR) de Sergipe e candidatou-se a deputado federal nas eleições de maio de 1930, sendo eleito com o apoio da Coligação Democrática Sergipana.

Em 3 de outubro de 1930 estalou a revolução. No dia 14, o capitão Juarez Távora, à frente dos revolucionários vindos da Paraíba, ocupou o estado de Sergipe e depôs o presidente Correia Dantas. Assumiu o governo o primeiro-tenente Eronides Ferreira de Carvalho, que ainda antes do final do ano foi substituído pelo capitão Augusto Maynard Gomes, nomeado interventor federal pelos chefes revolucionários. Leandro Maciel manteve o cargo de diretor de Obras Públicas do novo governo.

Em maio de 1933, elegeu-se deputado por Sergipe à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD) de seu estado, tomando posse em novembro do mesmo ano. Promulgada a nova Constituição em 16 de julho de 1934 e eleito, no dia seguinte, o presidente constitucional da República, Getúlio Vargas, até então chefe do Governo Provisório, os deputados constituintes tiveram os mandatos prorrogados até maio de 1935. Nas eleições de outubro de 1934, Leandro Maciel elegeu-se deputado federal na mesma legenda para a primeira legislatura ordinária após a Constituinte. Entretanto, com a instalação da Assembleia sergipana no início de 1935, foi eleito indiretamente senador por seu estado. Preferindo exercer o mandato no Senado, abriu mão de sua cadeira na Câmara dos Deputados. Com o golpe do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937, que fechou todos os órgãos legislativos vigentes no país, teve porém o mandato de senador interrompido.

Na UDN

Em abril de 1945, foi criada a União Democrática Nacional (UDN), partido que nasceu da campanha pela redemocratização do país e que reuniu as forças políticas contrárias ao presidente Getúlio Vargas. Filiando-se à UDN, Leandro Maciel participou da primeira reunião de seu diretório nacional, realizada no dia 21, quando foram nomeadas as comissões para a elaboração do primeiro projeto de estatuto do novo partido. Coube-lhe participar da comissão incumbida do estudo dos problemas estaduais e municipais.

Em 29 de outubro desse ano, Getúlio Vargas foi deposto pelos chefes militares. No pleito de dezembro, Leandro Maciel elegeu-se deputado por Sergipe à Assembleia Nacional Constituinte, na legenda da UDN. Empossado em 19 de fevereiro de 1946, participou dos trabalhos constituintes e, após a promulgação da nova Carta (18/9/1946), passou a exercer mandato legislativo ordinário. Em 1948, foi eleito membro da Comissão de Obras Públicas e membro da Comissão Especial da Bacia do Rio São Francisco, na Câmara dos Deputados.

Em outubro de 1950, reelegeu-se deputado federal, sempre na legenda da UDN, para o período legislativo de 1951-1955. Nesse mesmo ano, concorreu pela UDN ao governo de seu estado, sendo derrotado por Arnaldo Rollemberg Garcez, lançado pelo PSD e pelo Partido Republicano (PR). Como deputado federal por Sergipe, canalizou verbas para seu estado, destinadas a obras de construção de açudes, estradas de rodagens, hospitais e escolas, e à aquisição de máquinas e geradores elétricos para diversos municípios.

Em outubro de 1954, venceu as eleições para governador de seu estado, na legenda da UDN e com o apoio do Partido Social Progressista (PSP), do Partido Social Trabalhista (PST) e do Partido Trabalhista Nacional (PTN), vencendo Edélzio Vieira de Melo, candidato do PSD. Deixando a Câmara em janeiro de 1955, assumiu o governo em fevereiro, tendo como vice-governador o médico José Machado de Sousa, que o substituiu de março a junho desse ano. Nesse período viajou ao Rio de Janeiro a fim de tratar de interesses do estado, ligados à usina hidrelétrica de Paulo Afonso, cuja expansão até Sergipe pleiteava.

Durante sua administração, realizou a dragagem e desobstrução do porto de Aracaju e a construção de mais de trezentos quilômetros de estradas de rodagem. Reconstruiu a rede de distribuição de energia elétrica e reformou o sistema de abastecimento de água do estado. Restaurou o palácio Olímpio de Campos ou das Secretarias, destinado ao funcionamento dos vários órgãos do governo, e vários edifícios e escolas públicas, inaugurando em fevereiro de 1958 o Instituto de Educação Rui Barbosa, em Aracaju. Concluiu e inaugurou igualmente o aeroporto de Santa Maria, também na capital estadual. Instituiu, finalmente, o sistema de mesas-redondas para debater assuntos de interesse público e obter maiores esclarecimentos sobre os vários problemas do estado. Findo o seu governo, passou o cargo, em 31 de janeiro de 1959, a Luís Garcia.

Em novembro de 1959, seu nome foi apresentado à convenção nacional da UDN como candidato à vice-presidência da República na chapa de Jânio Quadros. Nessa ocasião, derrotou o deputado Fernando Ferrari. Todavia, em abril de 1960, renunciou à candidatura, sendo substituído, em julho, por Mílton Campos.

Em fevereiro de 1961, foi nomeado presidente do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), por Jânio Quadros, que então iniciava seu governo. À frente dessa autarquia federal, modificou o Plano do Álcool, fixando preços para o produto adquirido pelo instituto, modificando a sistemática de entrega do álcool às companhias de gasolina e estabelecendo a obrigatoriedade de as usinas receberem, para a produção de álcool direto, a mesma percentagem fixada para a produção do açúcar. Regulamentou ainda o pagamento de canas fornecidas às usinas associadas a cooperativas centralizadoras de vendas e alterou as datas de início e fim de safra de alguns estados do Nordeste. Extinguiu o Serviço Especial de Requisição e Destilação de Aguardente e criou a Divisão de Exportação do IAA, por decreto de 22 de junho de 1961. Em setembro de 1961, após a posse do vice-presidente João-Goulart na presidência da República em virtude da renúncia de Jânio Quadros (25/8/1961), deixou a presidência do IAA, sendo substituído, em caráter interino, pelo vice-presidente do instituto, Eduardo Rios Filho.

Em outubro de 1962, lançado pela UDN e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), voltou a concorrer ao governo de Sergipe, sendo, contudo, derrotado por João Seixas Dória, candidato do PSD e do Partido Republicano Trabalhista (PRT).

Na Arena

Com a dissolução dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), agremiação criada em abril de 1966, formada pelas forças políticas ligadas ao movimento político-militar de 31 de março de 1964, que depôs o presidente João Goulart.

Em novembro de 1966, elegeu-se senador por Sergipe, na legenda da Arena. Nesse pleito derrotou o industrial Oviedo Teixeira, candidato do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar, e pai do deputado José Carlos Teixeira, presidente do diretório regional daquele partido em Sergipe. Durante seu mandato, iniciado em fevereiro de 1967, foi presidente da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas, vice-presidente da Comissão de Redação, membro da Comissão de Finanças e Economia, e da Comissão de Minas e Energia, além de suplente das comissões de Indústria e Comércio, do Polígono das Secas, de Agricultura, de Justiça de Ajustes Internacionais, de Legislação sobre Energia Atômica e de Serviço Público Civil.

Concorrendo novamente às eleições de novembro de 1974 para o Senado na legenda arenista, não conseguiu reeleger-se, sendo derrotado por João Gilvan Rocha, do MDB. Ao terminar seu mandato de senador em fevereiro de 1975, retirou-se da vida política.

No exercício da vida pública, foi ainda fiscal do Serviço de Águas e Esgotos de Aracaju, diretor da Companhia de Serviços de Luz e Força de Sergipe (Energipe) e presidente das Usinas Nacionais.
Faleceu em Aracaju no dia 14 de julho de 1984.

Era casado com Marina de Albuquerque Maciel, filha de Otacílio de Albuquerque, médico, jornalista e político paraibano, que foi deputado estadual e federal e senador pela Paraíba (1923), e um dos articuladores no Nordeste do movimento revolucionário de 1930.


FONTES: ARQ. PÚBL. EST. SE; ASSEMB. NAC. CONST. 1934. Anais; BANDEIRA, L. 24; Boletim Min. Trab. (5/36); CÂM. DEP. Deputados; CÂM. DEP. Relação dos dep.; CISNEIROS, A. Parlamentares; COSTA, M. Cronologia; Diário do Congresso Nacional; Encic. Mirador; FRANCO, A. Escalada; FUND. GETULIO VARGAS. Cronologia da Assembléia; GODINHO, V. Constituintes; Grande encic. Delta; Jornal do Brasil (9/3/60, 27/7 e 16/10/66); LACERDA, C. Depoimento; NABUCO, C. Vida; NÉRI, S. 16; OLIVEIRA, H. Presidentes; Perfil (1972); PINTO, L. Pequenos; SENADO. Anais (1935); SENADO. Dados; SENADO. Dados biográficos (1974); SENADO. Endereços; SENADO. Relação; SILVA, G. Constituinte; WYNNE, J. História.

Texto reproduzido do site: fgv.br/cpdoc/acervo

domingo, 19 de novembro de 2017

Dona Dulce e Sr. Orlando Dantas


“Meus avós Dulce e Orlando Dantas. No final dos anos 40 ou início dos anos 50, acredito que na Fazenda Coqueiro, em Socorro, que era propriedade de meu avô”. (Paulo Roberto Dantas Brandão).

Foto e Legenda reproduzidos do Facebook/Paulo Roberto Dantas Brandão.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Imbuaça, O nome do artista e o artista do nome


De publicação do Facebook/Luiz Eduardo Oliva, em 15/11/2017.

Imbuaça, O nome do artista e o artista do nome. (*)
Por Luiz Eduardo Oliva (**)

Aracaju era apenas uma cidade com pouco mais de cem anos, ruas ainda enlameadas e o prefeito Godofredo Diniz aqui ou acolá inaugurando calçamentos de paralelepípedos. A população não passava dos 170 mil habitantes onde quase todo mundo se conhecia. Tudo era perto, mas tudo parecia longe. Nas cidades pequenas as maiores distâncias parecem ser maiores que nas cidades grandes. Ir até o bairro Santo Antônio, nem pensar. Os moradores das cercanias da Rua de Riachuelo, Santa Luzia, Lagarto, Arauá e Itabaiana tinham seus limites estabelecidos ao leste pelo banho do Rio Sergipe ali na “Rollemberg” acompanhados de Zé Peixe e de Dona Filomena; ao sul pelas cercanias da Igreja São José, arrodeada de mangues com o “Bariri” como anexo, pegando caranguejo em armadilha improvisada de lata de óleo de soja marca “salada”; ao oeste esbarrava-se nas areias brancas do Oratório de Bebé e ao norte, depois da Catedral já era longe.

A cidade, naturalmente era dividida em zonas. Mas zona era a denominação que a turma do futebol de pelada dava para digladiarem-se os mais ou menos “índios” como eram chamados os mais arruaceiros onde nas pelejas o pau comia. Quem nasceu no bairro Santo Antônio, parecia lá se estabelecer para sempre. Os colégios eram poucos. “Tobias Barreto” rivalizava com o “Atheneu Sergipense” e tinham como contra ponto a “Escola Normal” só de mulheres, as normalistas. O “Jackson de Figueiredo” com sua farda cor de cáqui tinha abrigado entre seus alunos o consagrado Joao Gilberto, o papa da Bossa Nova e também tinha o “Dom José Tomaz” pelas cercanias. O “Salesiano” e o “Arquidiocesano” eram os colégios religiosos assim como o “Nossa Senhora de Lourdes” e o “Patrocínio São José” sexistas, uns só para homens e outros para mulheres. Freiras e Padres monopolizavam parte do ensino. O “Tiradentes” surgiu depois assim como o G.A. (Ginásio de Aplicação) onde as meninas da nossa vã sociedade eram cognominadas de uma expressão escatológica para designar que eram “metidas”. Tudo isso fazia de Aracaju uma cidade bucólica, praiana, interiorana, embora fosse capital.

Mas se diz disso tudo nessa introdução para falar de um personagem: Manuel Imbuaça. Quem sabe de quem se trata? Certamente, se a pergunta fosse em torno do grupo de teatro Imbuaça, que fez esse mês quarenta anos de atuação, praticamente todo aracajuano sabe do quem se está falando. Mas poucos conhecem a figura do artista que deu ao “Imbuaça” o nome. Era morador da Rua Santa Luzia, numa extensão que ia da Rua Riachuelo à Praça Tobias Barreto. Ali se constituiu em um dos mais interessantes “guetos” daquela Aracaju com pouco mais de cem anos. Naquele trecho e nas suas cercanias, residiam ou viviam esse escrevinhador, Guda, Bolívar, Chumbinho, Zé Aélio, Geraldão, Vaca Braba, Seu Pedrinho, Hunaldinho, Bebeta, Bosco Scafts, Zé de Filomena, Jeze, Dona Lucinda, Robertão, Carlinhos, Sêo Vavá da Safira, Alcides Melo, Mário Jorge, Agamenon, Pipiri, e, naturalmente, Mane Imbuaça.

O nome verdadeiro era Manoel Silva Alagoano, um tipo que vivia com uma tropa de jegues, fazendo “carrego” em areia lavada para fazer celão, uma espécie de barro que era utilizado em construções. Mané Imbuaça, como era conhecido, fazia biscates. Durante o dia saia logo cedo com a sua troupe de burricos. No final da tarde, todos os dias a cena se repetia: voltava bêbado, conduzindo trôpegamente seus fiéis jericos. O entardecer naquele pedaço de rua era sempre uma festa. Alcides Mello esse belíssimo compositor da música sergipana que hoje vive em Uberlândia, Minas Gerais é ainda quem traz na memória a mais completa tradução daquela (sua) gente. E daqueles momentos. Pipiri, um artista popular era a mais significativa expressão do “marginal” quase Madame Satã. Artista popular, ganhava trocados nas escolas imitando personagens da política, trens, animais. Conta-se que certa vez, ao final de uma apresentação no Colégio Patrocínio São José, como uma das Irmãs ao pagar o cachê dissera que parte do arrecadado iria para as obras de caridade, Pipiri sentiu-se lesado. Não perdeu tempo. Virou-se para o auditório e disse que ia imitar uma freira...bufando. Se bem que usou a outra palavra mesmo.

Mas o personagem é Mane Imbuaça. Nos finais de semana pegava um pandeiro e saia para cantar emboladas e acrescentar parcos vinténs ao pouco que lhe rendia a sua tropa de jegues. Era, no dizer de Alcides, improvisador dos melhores. Cantava e alegrava. Tinha um humor permanente, espirituoso, para tudo uma saída divertida. Certa ocasião Alcides levou Mane Imbuaça a um bar que era ao ar livre, o Mine Golfe, onde hoje está situada a sede da OAB. Era o ponit da época. Os jovens, nas mesas, aos sôfregos beijos, chamaram a sua atenção. Bêbado, Mané Imbuaça virou-se para Alcides e perguntou: “Ô Alcide, isso aqui é um cabaré destampado?”

Cabaré, na verdade, era a principal opção para a Aracaju boêmia entre os anos 50 e 70. Chante Clair, Beco dos Cocos, Mira Mar, Bambu... a maioria num lugar denominado Vaticano. Mas isto já é outra história. Um dia mataram Mane Imbuaça a pauladas. Lá se foi o artista, ficou só o nome, perpetuado no grupo que se iniciou como teatro de rua, num Festival de Arte de São Cristóvão, festival que em boa iniciativa do atual prefeito da velha Capital, Marcos Santana, será retomado neste mês de dezembro.

Hoje o nome Mané Imbuaça não diz mais nada do artista popular, miserável, bêbado, que morreu de forma trágica. Foi o seu nome que o hoje famoso grupo de teatro tomou emprestado quando se iniciou pela arte de rua (inicialmente o Imbuaça fazia o chamado “teatro de rua”). Nome de um artista do meio do povo, cuja história caberia muito bem como tema de uma das peças que fazem do Grupo Imbuaça, ao lado do teatro de Jorge Lins a melhor tradição da arte cênica sergipana. Mas o Mané Imbuaça sumiu como fumaça. Entrou por uma perna de pinto, saiu por uma perna de pato... Senhor Rei mandou dizer que agora, conte mais quatro. Histórias que a historiografia não conta. De uma Aracaju que o tempo deixou para trás.

(**) Luiz Eduardo Oliva, advogado, poeta e professor. Ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania.

(**) Artigo publicado no Jornal da Cidade edição de fim de semana (11 a 13 de novembro de 2017).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Luiz Eduardo Oliva.

domingo, 12 de novembro de 2017

sábado, 11 de novembro de 2017

'O Grande Reizinho', por Petrônio Gomes

Foto reproduzida do site: acese.org.br e postada pelo
 blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Facebook/Petrônio Gomes, em 10/11/2017.

O Grande Reizinho.
Por Petrônio Gomes.

Quando o Dr. Paulo Barreto governou nosso Estado, as estradas de Sergipe eram um modelo para o país. Gente simples mas conhecida de todos, estiveram compondo o seu governo, como Joaquim Barreto, João Andrade Garcez e outros. Houve também um comerciante que todos chamavam reizinho! por ser de pequena estatura, mas um modelo de simplicidade.

Eu trabalhava no Café Aragipe, que ficava próximo ao estabelecimentos de Alcides Vasconcelos. Só sei que um dia reizinho foi trazido de automóvel oficial para o seu estabelecimento, na certa por se encontrar substituindo alguém muito importante. O mais gostoso foi o fato de reizinho sair porta dos fundos do carro enquanto o chofer continuava perfilado, segurando a porta de onde ninguém saía. Sãos meus amigos de longa data, os Vasconcelos, que me perdoarão pelas palavras de simples carinho.

Texto reproduzido do Facebook/Petrônio Gomes/http://bit.ly/2AvpFaH

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Perdemos Robson Porto



Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone.

Perdemos Robson Porto.
Por Antônio Samarone.

Acabo de receber a notícia do falecimento de Robson Porto, filho de seu Portinho. Robson era sobrinho de dona Josefa Porto, esposa de Othoniel Dórea, chefe político durante a República Velha em Itabaiana, e primo de Passos Porto.

Robson era um bom papo, referência de educação e urbanidade, memória privilegiada da vida Itabaianense. Robson era o goleiro das nossas peladas e torcedor do Confiança. 

Robson era casado com Jeane, filha de Seu João Carteiro. O sepultamento será hoje à tarde, em Itabaiana.

Requiescant in pace, meu amigo.

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Texto reproduzido do Facebook/Antonio Samarone.
Fotos Facebook/Ludwig Oliveira/Antonio Samarone.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

No Jardim de Raymundo


Publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 20 de outubro de 2017

No Jardim de Raymundo.
Por Amaral Cavalcante.

Na sexta-feira passada, dei-me um presente digno de real embaixador, ao visitar o reino principesco de Raymundo Luiz da Silva, na Avenida Barão de Maruim.

O gentil’homem, guardião das mais profundas memórias desse Sergipe de elegantes políticos e fortunas históricas que se esvaem ao sabor da nossa indiferença, recebeu-me na porta da sua cidadela de cajado em punho e sorriso grato. Que entrasse!

Com a mão no meu ombro, ele me lavaria pelos corredores da casa aos seus domínios: uma aprazível construção no amplo quintal, iluminada pela luz inconfundível de tantos Aracajus gloriosos que ele guarda sob a sombra de um pé de manjelão, cioso da sua majestosa função de guardião de memórias.

Raymundo é a lembrança fiel de conquistas políticas e progressos no jornalismo, na literatura escorreita cultivada em crônicas certeiras, na implantação de benéficas ações na área da comunicação, do esporte, na vida social e no assessoramento intelectual a destacados agentes do poder político, em Sergipe.

Ao som do estridente trilili de dezenas de pássaros cantores que ele reconhece, a todos, por inusitada convivência e amorosos tratos, Raymundo me conduziu ao seu reino de amabilidades, ao seu papo gostoso de quem envelhece de bem com a vida e faz da sua memória um legado precioso demais para todos nós.

Conversamos com a sofreguidão de quem aguarda um naufrágio: eu, às pressas porque tinha compromissos bestas que nem valiam à pena; ele, senhor do tempo como se a eternidade já o liberasse de qualquer pressa.

O tempo foi pouco, mas juro que farei outras visitas como essa, para o bem da minha sanidade intelectual e refrigério de alma.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Amaral Cavalcante.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Você sabe quem foi Orlando Dantas?


Publicado originalmente no site Expressão Sergipana, em 27 de setembro de 2017

Você sabe quem foi Orlando Dantas?

De Redação

Orlando Vieira Dantas nasceu em Capela (SE) no dia 28 de setembro de 1900, filho de Manuel Correia Dantas, governador de Sergipe entre 1926 e 1930, e de Adelina Vieira Dantas.

Proprietário rural e empresário da agroindústria açucareira, formou-se em engenharia civil, no Rio de Janeiro (então Distrito Federal), em meados da década de 1920. De volta a Sergipe, em 1934 militou no Partido Social De­mocrático de Sergipe.  Em 1945, ingressou na União Democrática Nacional (UDN) e mais tarde na Esquerda Democrática, em cuja legenda ele­geu-se para a Assembleia Constituinte estadual em 1947. Mais tarde, filiou-se ao Partido So­cialista Brasileiro (PSB), fusão da Esquerda Democrática com outras correntes políticas, do qual foi um dos fundadores em Sergipe.

Deputado Federal (1951 - 1953).

Em outubro de 1950, elegeu-se deputado federal por Sergipe na legenda da Aliança Popular, coligação do PSB com o Par­tido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Social Progressista (PSP). Nesse mesma pleito, Getúlio Vargas foi eleito presidente da República. Deixando a Assembleia sergipana em janeiro de 1951, Orlando Dantas assumiu o mandato de deputado fede­ral no mês seguinte.

Em dezembro de 1951, Getúlio enviou ao Congresso um projeto propondo a criação de uma sociedade de economia mista, a Petrobrás, para a exploração do petróleo no país. Dantas participou do debate em torno do projeto como congressista e como homem de imprensa. Em maio de 1952, antes que o projeto começasse a ser discutido em plená­rio, o governo apresentou um requerimento de emergência aprovado posteriormente, ape­sar das manifestações contrárias da minoria, para o encaminhamento dos debates, de modo a evitar que o controle da matéria lhe escapas­se. Orlando Dantas declarou ser o requerimen­to suspeito, por estar em consonância com a campanha feita pela imprensa, financiada pela Standard Oil, visando a defesa de um projeto prejudicial à economia do país.

Na sessão da Câmara de 6 de junho, a UDN encaminhou um substitutivo assinado por representantes dos principais partidos po­líticos. Orlando Dantas o assinou pelo PSB de Sergipe. Este substitutivo apresentava como proposta a criação de uma empresa estatal (Empresa Nacional de Petróleo – Enape) e incorporava diversas sugestões feitas no me­morando enviado à Câmara, em maio de 1952, pelo Centro de Estudos e Defesa do Pe­tróleo e da Economia Nacional (CEDPEN), um dos principais promotores da campanha pelo monopólio estatal do petróleo.

Depois de muita discussão, o projeto original saiu da Câmara com alterações significati­vas.  Foram aprovadas emendas que tornaram mais nítido o controle do Estado na nova em­presa. Modificaram-se os dispositivos referen­tes à participação dos estados da Federação na distribuição da receita do Imposto Único sobre Combustíveis Líquidos e Lubrificantes.  Por outro lado, foram incluídos dispositivos relativos à participação dos estados produto­res nos resultados da atividade da empresa. A Petrobrás só viria a ser criada em 3 de outu­bro de 1953, através da Lei nº. 2.004, sancio­nada por Getúlio Vargas.

Líder do PSB na Câmara a partir de março de 1952, tentou a reeleição em outubro de 1954, dessa vez na legenda da Aliança Social Democrática – coligação do PSB com o Parti­do Social Democrático (PSD) e o Partido Re­publicano (PR).  Obteve apenas a segunda suplência e, deixando a Câmara em janeiro de 1955, a ela não retornou na legislatura seguin­te.

No pleito de outubro de 1962, elegeu-se quarto suplente de deputado à Assembleia Le­gislativa de Sergipe, na legenda do Partido Ru­ral Trabalhista (PRT), não chegando a exercer o mandato.  Com a extinção dos partidos polí­ticos pelo Ato Institucional n.º 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, tentou candidatar-se a senador em 1966 por Sergipe na legenda do Movimento Democráti­co Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime militar instalado no país em abril de 1964, mas a agremiação não acolheu sua candidatura. Em 1968 ingressou na Aliança Re­novadora Nacional (Arena), partido de sustentação ao regime militar.

Além de suas atividades no ramo açucareiro e na política, foi diretor-presidente da Gazeta de Sergipe, jornal de sua propriedade.

Faleceu em Aracaju no dia 9 de abril de 1982.

Era casado com Dulce Meneses Dantas, com quem teve quatro filhos. Um deles, Hélio Dantas, também seguiu a carreira política

Publicou O problema açucareiro em Sergi­pe (1944), Aspectos da política sergipana (1953), Análises da inflação no Brasil (2ª. ed., 1957), Movimento cultural de Sergipe, Pla­nificação econômica de Sergipe e A vida patriarcal em Sergipe (1981).

FONTES: CÂM.  DEP.  Deputados; CÂM.  DEP. Relação nominal dos senhores; CISNEIROS, A. Parlamentares, Grande encic.  Delta; NÉRI, S. 16; TRIB.  SUP.  ELEIT.  Dados (1, 2, 3 e 6).

Texto e imagem reproduzidos do site: expressaosergipana.com.br

domingo, 15 de outubro de 2017

Ilma Fontes e o Jornal "O Capital"


A fotografia de Ilma Fontes, no alto da página, é de autoria de Janaina Santos.
O escritor Jorge Domingos, residente em Petrópolis (RJ), tem em mãos o jornal O Capital.


Publicado originalmente no site Jornal o Boemio, em 14 de julho de 2017.

Ilma Fontes e o Jornal "O Capital"

Por Eduardo Waack

Ilma Fontes é figura legendária da literatura nacional, da nordestinidade e do jornalismo alternativo. Mulher tão forte quanto bela, partiu corações e fez muitos intelectuais reverem opiniões, embalados pela clareza de sua presença iluminada e rara. Não é figura fácil, defende suas posturas com a mesma firmeza com que acolhe amigos oriundos dos quatro cantos do planeta. Tenho o enorme prazer de conhecê-la há quase 27 anos, quando um dia recebi em minha casa, no final de 1991, um exemplar de O Capital. Meses antes, amigos comuns residentes em Pernambuco lhe entregaram a edição nº 09 de O Boêmio, jornal por mim editado.

Era um tempo em que as pessoas se escreviam longas cartas, que o correio postal entregava e eram aguardadas com verdadeira ansiedade. Não havia internet e nem telefones celulares, que diluem os afetos e afastam os seres, dando a falsa impressão que nos une a todos numa aldeia global. O mundo digitalizado sufocou os afetos e esfriou os carinhos. Com o mesmo carinho recebi cada uma das 276 edições de O Capital que Ilma gentilmente me enviou mensalmente. A alegria contagia toda a família, pois este valente jornal tem lugar cativo em minha residência, em cima do balcão que une a cozinha à sala. Sempre existe um exemplar de O Capital à disposição de quem chega em casa, e tê-lo à mostra me faz tanto bem quanto a felicidade de respirar sem precisar pagar. Ler Ilma é saber e sentir que estamos vivos e atuantes.

Por suas páginas passaram aplaudidos nomes da cena cultural brasileira, e pequenos grandes segredos tornaram-se públicos. Ilma vai até as últimas consequências para honrar seus compromissos e sua posição. Exemplar cronista, ela deixa o nome de Sergipe, e em especial sua querida Aracaju, em evidência no atlas nacional. Lembro-me das colunas de Newman Sucupira e Mano Melo, dos poemas de Ane Walsh, Maria Cristina Gama e Djanira Pio, da fresca elegância de Araripe Coutinho, suave como o perfume de flores silvestres. Lembro-me de Rosemberg Filho e Lapi, viajo com Henry Jaepelt e Márcia Guimarães. E sou leitor assíduo dos 24 Comentários de Jorge Domingos. Ilma é a nossa grande mãe, nossa mestra, irmã e musa inspiradora. Aonde ela vai, vamos todos nós. Seus editoriais reunidos são literatura da melhor qualidade.

E assim seguimos esta batalha num intenso intercâmbio. Somos resistentes ao ordinário, o que fazemos é cultura popular independente e evolucionária. O destino nos uniu. Como me disse certa vez na Universidade de São Paulo o poeta concretista Augusto de Campos, referindo-se a Haroldo, somos irmãos siamesmos. A primeira edição de nossos jornais foi publicada em 26 de junho de 1991, no mesmo dia, mês e ano. O Capital para mim é referência obrigatória, é tendência, vanguarda e história. Ele me guia como um pastor conduz suas ovelhas. Procuro dialogar com O Capital e resolver os enigmas por Ilma propostos. E tenho em mente uma certeza. Enquanto existir O Capital e Ilma Fontes, eu sigo editando O Boêmio. Um dia sei que não estaremos mais aqui. Porém fizemos a nossa parte, estamos fazendo, acertando e errando, da melhor maneira possível. Ilma é a serena lua cheia que cruza os céus da poesia, e ilumina os apaixonados na longa noite latino-americana. Ilma Fontes sou eu, eu sou Ilma Fontes.

Texto e imagens reproduzidos do site: jornaloboemio.wordpress.com

A voz sergipana no The Voice Brasil 2017


A voz sergipana no The Voice Brasil 2017

"Se o canto fizer bem pra minha alma, vai fazer também na de quem me ouve"

Só bastou a aparição dele soltando os trinados com propriedade musical, segurança, descontração e muita ginga, para todas as atenções se voltarem pra ele, sem falar da cobiça dos quatro técnicos experts em música: 'Ivete Sangalo', 'Lulu Santos', 'Carlinhos Brown' e 'Michel Teló', todos lutando entre si querendo atraí-lo para o time deles.

Lógico que estou falando de 'George Sants', a nova revelação da música em nosso Estado, e primeiro artista sergipano a furar o cerco e conquistar uma classificação na batalha musical do pra lá de concorrido programa "The Voice Brasil", da Rede Globo.

'George' tem 29 anos de idade e é natural da cidade de Boquim, onde desde a infância, ouvindo sua mãe cantar enquanto lavava as roupas dos outros quatro filhos, demonstrou especial afinidade com a música e se encantou totalmente por ela.

Ele começou a cantar na igreja ainda criança. Aos 16 anos ingressou no 'Grupo Vocal Sírius', conjunto de expressão no cenário da música gospel sergipana. Participou de alguns trabalhos como backing vocal em grandes eventos, teve aparição em programas de TV e Rádio, e também gravou CDs com músicos do seguimento gospel, o que gerou certa visibilidade e introduziu a participação dele em festas de casamentos, aniversários, entre outros eventos sociais.

Para ampliar o seu trabalho, formou a parceria "Sina Casamenteira", com foco na união de vários cantores e instrumentistas para apresentações diversas. Iniciou os curso de Administração, Letras Vernáculas e Ciências Atuariais, mas ainda não concluiu nenhum deles, pois, segundo ele: "A arte fala com mais força!".

Agora, neste ano de 2017, foi selecionado para participar do programa "The Voice Brasil", sendo o primeiro e único sergipano a representar o Estado na edição do programa veiculado pela 'vênus platinada'. Cantou, encantou, emocionou e seduziu os jurados, a ponto de todas as cadeiras se virarem para ele, quando escolheu 'Ivete Sangalo' como sua técnica.

O BACANUDO.COM, primeiro espaço que divulgou a apresentação de 'George Sants' no televisivo, atraindo assim toda a atenção dos sergipanos para frente da telinha, todos emanando boas energias ao candidato, sai mais uma vez na frente e bate um papo descontraído com o promissor artista, que sem dúvida alguma dará muito o que falar e se projetará nacionalmente, pois talento e determinação é o que não lhes falta. Acompanhe e permaneça na torcida!

BACANUDO - Quando percebeu o dom para a música?
GEORGE SANTS - Todas as manhãs, muito pequeno, quando eu acordava, gostava de ficar encostado na porta do quintal ouvindo minha mãe lavando roupa e cantando. Eu achava lindo! Ela me despertou pra esse lado da música. Quando comecei a frequentar os cultos da igreja foi que comecei a cantar de verdade.

BACANUDO - Quais foram os primeiros passos que você deu na carreira?
GS - Eu participei de gravações de alguns CDs de amigos fazendo backing vocal, depois ingressei no 'Grupo Vocal Sírius', gravei um CD com eles e me apresentava nas igrejas.

BACANUDO - Quem são os artistas que lhe influenciaram e servem de inspiração até hoje?
GS - Eu costumo dizer que eu gosto de música boa, não importa o seguimento ou o artista. Se a música me fala algo positivo, se a melodia mexe comigo, escuto. 'Leonardo Gonçalves', 'Tracy Chapman', 'Celine' sempre me inspiraram!

BACANUDO - Quais as dificuldades para se viver exclusivamente de música em Sergipe?
GS  - Eu sempre tive empregos fixos e levava a música em segundo plano no quesito cantar como profissão. Então, eu não posso falar que experimentei grandes dificuldades. Só que a gente conhece algumas realidades. Quem se conforma não sai do lugar.

BACANUDO -  O que você acha ser preciso para se tornar em um cantor de sucesso nacional?
GS - O segredo do sucesso universal, quando a gente quer ser real, é ter gente boa por perto, experimentar parcerias, firmar os pés no chão, não se deslumbrar, ser pro mundo o que a gente é na intimidade.

BACANUDO - Como é feita a escolha do seu repertório e o que gosta de interpretar?
GS - Gosto muito de fazer releituras de músicas de outras épocas e de cantar sobre temas positivos! A música, pra mim, tem função terapêutica! Na montagem do repertório eu tento mesclar o que as pessoas estão ouvindo com esses princípios aí. Se o canto fizer bem pra minha alma, vai fazer também na de quem me ouve.

BACANUDO - É mais difícil cantar em português ou em língua estrangeira?
GS - No programa, participante e produção escolhem as músicas que melhor se encaixam com o nosso jeito de cantar. Cantar em língua estrangeira é mais complicado por causa da falta, talvez, de convivência com determinada língua, mas não deixa de ser um ótimo exercício de memória musical.

BACANUDO - Como surgiu a ideia de participar do "The Voice Brasil"?
GS - Surgiu em casa, de pijama, sentado no sofá! Fui ver o que aconteceria se eu mandasse um vídeo e deu no que deu!

BACANUDO - Você se deparou com algum obstáculo? Se aconteceu, qual foi?
GS - A gente sempre tem pedras no caminho, mas eu não posso reclamar. Obstáculos tornam a gente mais forte!

BACANUDO - O que muda daqui pra frente para 'George Sants' a partir dessa classificação no icônico programa?

GS - Na minha essência, nada. Na minha mente,  ganha proporção a vontade de estudar e me dedicar cada vez mais à música.

Foto de Jandson Vieira

Texto e imagem reproduzidos do site: bacanudo.com

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Cineasta Waldemar Lima será homenageado pelo TCE de Sergipe

Waldemar Lima: homenagem no TCE (Foto: Arquivo TCE).

Publicado originalmente no Portal Infonet, em 22/09/2017.

Cineasta será homenageado pelo TCE de Sergipe

Diretor de fotografia do filme: "Deus e o Diabo na Terra do Sol"

A Sexta Cultural deste mês de setembro, no dia 29, fará uma homenagem ao cineasta Waldemar Lima. Natural de Aracaju, falecido em 2012 aos 82 anos, autor de várias obras cinematográficas, ele ficou conhecido como diretor de fotografia do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol", obra-prima de Glauber Rocha. A homenagem tem o apoio das Secretarias de Estado da Cultura, da Fundação Aperipê, da Segrase e do Instituto Banese.

O presidente do TCE/SE, Clóvis Barbosa, o conheceu pessoalmente e considera que Sergipe devia essa homenagem a Waldemar Lima, profissional que é lembrado nacionalmente e até no exterior. "Quando eu vi umas fotografias feitas por ele no centenário de Aracaju, em 1955, apaixonei-me pela ideia de promover uma exposição. Agora, presidente do Tribunal de Contas, onde temos procurado resgatar essas histórias de grandes nomes sergipanos que fizeram sucesso, como é o caso dele, considerado um dos melhores fotógrafos cinematográficos, resolvemos não só realizar a exposição fotográfica com as belas imagens captadas naquela Aracaju do passado, onde ele aprendeu a arte da fotografia", revelou.

Além da exposição fotográfica, ilustrada por poemas de autoria do advogado e agitador cultural Luiz Eduardo Oliva, a homenagem no Museu da Gente Sergipana constará também do lançamento de um livro biográfico, intitulado "Uma Câmera e uma Ideia de Luz", organizado pelo jornalista e diretor de Comunicação do TCE, Marcos Cardoso, e da exibição de um documentário realizado pelo jornalista Pascoal Maynard.

Também será entregue o Prêmio Waldemar Lima aos três roteiros vencedores do concurso "1 Minuto Cidadão". Os escolhidos foram: "Politicamente Incorreto", de Luiz Michael, na categoria Corrupção; "Boca Aberta", por Sérgio Borges, na categoria Transparência; e "Atenção", escrito por Glória Graziele da Costa, que foi o melhor roteiro na temática Cidadania. Além de terem os filmes realizados pela TV Aperipê, cada um fará jus à quantia de R$ 5 mil.

Os 19 roteiros inscritos no Prêmio Waldemar Lima foram julgados pelos seguintes especialistas, que compuseram o Comitê Técnico do concurso: Djaldino Mota Moreno, representando a sociedade civil; Graziele Andrade Ferreira, representando o Conselho Estadual de Cultura; Luiz Eduardo Oliva, representando a TV Aperipê; Tiara Câmera da Silva, representando a Secretaria da Cultura; e Fábio Nunes Oliveira, representando o Tribunal de Contas. O Comitê Gestor foi formado por Irineu Fontes, representando a Secult; Pascoal Maynard, pela TV Aperipê; e Marcos Cardoso, pelo Tribunal de Contas.

Fonte: Ascom/TCE.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Registro de falecimento do fotógrafo Amisabade


Aracaju(SE), 18 de setembro de 2017.

Comunicado e depoimento de seu filho Mateus Santos Major. 

"É com muito pesar que informo o falecimento do meu pai Amisabade dos Santos Misa".

"Nós nunca estamos preparados para perder... Hoje perco meu pai, a dor é substituída pela certeza que hoje papai do Céu o já recebeu para uma nova jornada ao seu lado e quem sabe nos reencontramos naquele grande Dia ao qual Deus irá nos buscar, sempre guardarei em meu coração coisas boas ao qual vivenciei e primacialmente o momento que o abracei. Descanse em paz Painho... O senhor sempre será lembrado nos anais da fotografia o pioneiro o louco que serviu de base para muitas empresas de marketing publicitário, o melhor fotógrafo do estado. Entre outras coisas um guerreiro que como todo homem errou e acertou". (Mateus Santos Major).

Texto e foto reproduzidos do Facebook/Mateus Santos Major).

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Depoimento e homenagem de Fábio Antônio a Amisabade.

“... Pra quem não conheceu sua trajetória, foi um dos pioneiros em Fotografias de Estúdio no Estado de Sergipe, Lutou contra o Governo do Estado (e conseguiu) para que a fotografia hoje do seu RG, pudesse ser feita de forma livre e democrática, pois antes era obrigatório ser feita no próprio Instituto de Identificação...” (Fábio Antônio).

Reproduzido do Facebook/Fábio Antônio.
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sábado, 16 de setembro de 2017

Mestres da Medicina em Sergipe - Dr. Todt


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 12 de setembro de 2017.

Dietrich Wilhelm Todt (um alemão, nascido na Bahia, com a alma sergipana).

Por Antônio Samarone.

O Dr. Todt nasceu em 27 de dezembro de 1937, na Maternidade Climério de Oliveira, em Salvador/BA. Só nasceu, pois na verdade é natural de Cachoeira do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano. O pai, Hans Karl Todt (João Carlos Todt), veio da Alemanha logo após a Primeira Guerra, para trabalhar nas fábricas de charutos Dannemann e Suerdieck, empresas de origem alemãs; a sua mãe é a baiana Stella Machado Todt. O Dr. Todt fez o primário no Colégio Montezuma, em Cachoeira; e o secundário no Colégio Maristas, em Salvador.

Em 1958, entrou na Universidade no curso de medicina veterinária, tendo concluído em 1962. Como médico veterinário, foi funcionário da Inspetoria Sanitária da Bahia. Em paralelo, em 1959 foi também aprovado no vestibular para o curso de medicina. Como não era possível fazer os dois cursos ao mesmo tempo, esperou concluir o de Veterinária, e em 1963, começou para valer o curso de medicina, tendo se tornado médico em 1968. Em resumo, o Dr. Todt formou-se em medicina veterinária em 1962; e em medicina em 1968.

Atendendo ao convite do concunhado Dr. José Augusto Barreto, transferiu-se para Aracaju logo após a conclusão do curso de medicina. Atuou no INAMPS, inicialmente no Serviço de Emergências Médicas da Previdência Social (SAMDU). Foi plantonista do Pronto Socorro do Hospital de Cirurgia, atuando ao lado dos colegas Fernando Felizola e Fernando Sampaio. Pertenceu ao corpo clínico do Hospital São José. Em 1972 prestou concurso para a UFS, lecionando a disciplina parasitologia, depois substituiu Aírton Teles na clínica, após fazer o mestrado em pneumologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no serviço do professor Mário Rigatto, nos anos de 1976 e 1977. Na chegada do Dr. Todt à Sergipe, surgiu um boato no meio médico, dizia-se a boca miúda: o Dr. José Augusto Barreto é tão influente, que trouxe um concunhado da Bahia, que mesmo sendo médico veterinário está atendendo gente no hospital.

O Dr. Todt iniciou a nova pneumologia em Sergipe, a especialidade com vocação clínica, próxima a cardiologia. Antes, os médicos especializados em pulmão eram os tisiologistas, centrados no combate da tuberculose e ligados à Saúde Pública. Tisiologistas tivemos Paulo Faro, José Maria Rodrigues, Lourival Bonfim, entre outros. Na pneumologia clínica o pioneiro foi o Dr. Todt. A especialidade teve grande avanço com a descoberta dos corticoides inalatórios, dando um impulso no tratamento da asma, antes de baixa eficácia. Usava-se o chá de zabumba (Brugmansia suaveolens), uma planta alucinógena, no tratamento da asma.

O Dr. Todt participou, ao lado de José Augusto Barreto e outros colegas, na criação da Clínica São Lucas, em 18 de outubro de 1969, sendo o seu Diretor Clínico. Em seguida, a Clínica se transformou no atual Hospital São Lucas. Dr. Todt foi fundador da Sociedade Sergipana de Pneumologia, tendo exercido a presidência da entidade por dois mandatos. Presidiu o 11º Congresso Norte Nordeste de Pneumologia, realizado em Aracaju. Membro fundador da Academia Sergipana de Medicina, onde ocupa a cadeira de número quinze, que tem como patrono o Dr. Gérson Siqueira Pinto.

O Dr. Todt é casado desde 1964, com a nutricionista Eunice de Azevedo Todt (Dona Nicinha), pai de seis filhos (Ângela, Ana Luiza, João Carlos, Maurício, Sérgio e Miguel); avô de onze netos e bisavô de Alice. Por influência do pai, o Dr. Todt é torcedor do Fluminense e possui a alma luterana, mas acompanha a esposa nos cultos católicos. Aos oitenta anos, o Dr. Todt mantém a disciplina germânica, uma memória intacta e a clareza do dever cumprido. Acredita que a medicina artesanal, humanizada, centrada na relação médico paciente é superior a atual medicina dos procedimentos, centrada apenas na incorporação da tecnológica. “É fundamental o toque, o contato, a atenção acolhedora aos pacientes”, nos ensina o Dr. Todt. (foto: Dr. Todt e dona Nicinha).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone.

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

O Piano’s Bar do Zenóbio

Foto atual para Divulgação/Reproduzida do site: infonet.com.br
Postada pelo blog "SERGIPE...",  para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 13 de março de 2013.

O Piano’s Bar do Zenóbio.
Por Amaral Cavalcante.

Cuidado!
Neste bar a natureza indomada de Zenóbio Alfano se precipita sobre os teclados.
Irrompe por aqui uma tempestade de sons tão poderosa que pode arrancar da gente a lucidez, o tino.

O Piano’s Bar ficava na pracinha da Atalaia numa casa sem graça, enterrada meio metro abaixo da rua. Terá sido, nos primórdios, morada de pescador, ainda guardando nas paredes de reboco a fuligem de antigos candeeiros.

Duvido que algum outro bar nos anos 80, tornasse Aracaju tão aldeia universal, irmã do mundo. Ali, a moçada inquieta se gastava em reverência à grande musica, desde os lundus de Nepomuceno às lisergias de Pink Floyd, desde a serena Nara Leão aos espantos da tropicalia. Essa cidade já foi assim.

Vamos entrar! Na varanda, sob a proteção de amendoeiras frondosas ficava a gataria sarada. Era onde a "jeunesse dorée" da província afiava as garras com o olhar cacheado e certo enfado fortuito. Eram os cobiçados pomos do jardim, delícias expostas como no éden o pecado cor-de-rosa das maçãs. Adiante, no patamar da calçada, mesas de papo solto, onde os amantes se apalavram, os amigos se queriam, os inimigos se reconciliavam. E lá pra dentro, sob um telhado de caibros tortos e a persistência de um sagüi chamado Nico - guinchador de primeira e viciado em batata frita –, dominava a melodia selvagem de Zenóbio Alfano, com seu piano envenenado a conduzir com danações e cânticos, o sabá de emoções coletivas.

O palco era no chão e cabia às mesas mais próximas suprir de uísque e reverência os bruxos da orquestra. Era Pantera menino - um galgo de dedos tristes dedilhando o coração - era Ademir, era o pequeno Fradinho, que acreditávamos ter conluio com o diabo, tal mefistofélica era a gravidade do seu baixo. Tuum! O som apolíneo do contrabaixo nos trazia à tona, quando o desesperado jazz afogava nos quintos dos infernos o descompassado coração da casa.
Zenóbio, ao piano, um cataclismo sem limites, um gênio se esgarçando em sons como uma potestade louca a naufragar costados.

Na bateria, o timoneiro Pascoal, maneiro como se nem estivesse ali, manso e preciso. E finalmente a elegância de Alexandre no trompete, a placidez do intermezzo apaziguando as águas como a providência de um farol conduzindo de volta nossas redes pródigas de sonoros peixes.

Assim era o Piano’s Bar do Zenóbio Carmelo Alfano.
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Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante.
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sábado, 9 de setembro de 2017

Mestre da Medicina em Sergipe - Nestor Piva


Publicado originalmente no Facebook/Antônio Samarone, em 07/09/2017.

Mestre da Medicina em Sergipe - Nestor Piva.
Por Antônio Samarone.

Nestor Piva, oitavo filho de Alberto Piva e Laura Piva, nasceu em 13 de junho de 1930, em Salvador/BA. Imigrantes italianos, operários de tecelagem, ao chegarem ao Brasil passaram pelas fábricas dos Matarazzos, em São Paulo; Bangu, no Rio de Janeiro; Pelotas, Rio Grande do Sul; até chegarem a fábrica dos Catarinos, em Salvador. Nestor Piva perdeu o pai aos três anos, o irmão mais velho, Inocêncio Piva, assumiu as funções paternas. Estudou o primário no Colégio do Professor Eufrates, em Salvador; e o restante dos estudos no Ginásio da Bahia. Em 1948, ingressou na centenária Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, criada por D. João VI. A opção pela patologia foi precoce, desde cedo trabalhou em laboratório e dominou as suas técnicas.

Nestor Piva foi campeão juvenil no futebol pelo Galícia, vice-campeão baiano de vôlei pelo Fluminense, e campeão de basquete pelo Bahia. Por muitos anos jogou tênis na Associação Atlética de Sergipe; participou do movimento de rádio amador, e tinha um xodó especial pela pescaria. Foi fundador e presidente do Clube de Pesca de Sergipe. Um verdadeiro desportista.
Em 1954, o Dr. Augusto Leite convidou o professor baiano Aníbal Silvani para assumir o serviço de patologia do Hospital de Cirurgia, em substituição ao patologista alemão Konrad Schimitt, que retornava a sua terra. Silvani não aceitou, mas indicou o seu aluno Nestor Piva, ainda doutorando para o cargo. Piva chegava em Aracaju na sexta à tarde, trabalhava o final de semana, e retornava na segunda para Salvador.

Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1954. Em 1955 organizou a disciplina de patologia da Faculdade de Medicina da Paraíba. Um ano após voltou para Salvador onde assumiu por concurso o cargo de médico do IAPC – Instituto de Aposentadoria dos Comerciários. Em 1959 transferiu-se para Aracaju atendendo convite dos médicos Juliano Simões e Fernando Sampaio, para retornar ao Hospital de Cirurgia que estava sem médico patologista. Augusto Leite e o Senador Leite Neto, conseguiram que o IAPC colocasse Piva à disposição do hospital. Todos os exames de patologia do estado, inclusive os do Hospital Santa Izabel, passaram a ser realizados no laboratório montado por Piva no Cirurgia. Um fato: ele não recebia nada por isso. Ele só montou outro laboratório, no São Lucas, quando o curso de medicina deixou o Hospital de Cirurgia.

Nestor Piva e Osvaldo Leite foram os primeiros professores da Faculdade de Medicina de Sergipe, fundada por Antônio Garcia, lecionando inicialmente histologia; e em seguida, professor titular da Patologia Geral, Especial e Bucal. Somente com a saída das instalações da Faculdade de Medicina do Hospital de Cirurgia, Piva resolveu fundar o seu Laboratório de Patologia no Hospital São Lucas, em sociedade com duas ex-alunas. O Dr. Piva assimilou rápido toda a modernidade e quis que o seu laboratório emitisse laudos com imagens digitalizadas e com as técnicas mais modernas de imuno-histoquímica.

Em 1972, transferiu-se para Brasília onde assumiu por concurso o serviço de patologia do Hospital das Forças Armadas. Nesse período foi professor adjunto de patologia da Universidade de Brasília, ocupando o cargo de chefe do Departamento. Permaneceu em Brasília por quatro anos, regressando a Sergipe atendendo o convite do então reitor da UFS, economista Aloísio Campos.

Na área administrativa, Dr. Piva exerceu vários cargos públicos: foi Diretor do Instituto de Biologia (1969/70); Chefe do Departamento de Medicina Interna e Patologia (1961/68); Diretor do Hospital Universitário, na administração do Reitor Eduardo Garcia; Pró-Reitor de Graduação, onde implantou o sistema de créditos na UFS, substituindo o antigo sistema seriado; Vice-Reitor da UFS; foi Secretário de Educação do Estado de Sergipe por nove meses, no governo de João de Andrade Garcez, tendo montado uma equipe de notáveis na educação (Gizelda Morais, Carmelita Pinto Fontes, Beatriz Góis, Núbia Marques, Carmen Mendonça, Silvério Fontes e Thetis Nunes). Com todos esses cargos ocupados, Piva nunca deixou a sala de aulas. Nestor Piva nomeia um dos hospitais do município de Aracaju.

Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe, onde atuou por dois mandatos. No início da década de 1980, um grupo de médicos recém-chegados da residência médica, desconhecido, estava decidido em fundar o sindicato dos médicos em Sergipe. Como legitimar esse sindicato, junto a uma categoria conservadora? O grupo tinha participado ativamente do movimento estudantil na UFS, quase todos de esquerda, como representar uma categoria tradicional? Tivemos uma ideia, vamos convidar um médico antigo e que tenha legitimidade. Quem? Não tivemos dúvidas: Nestor Piva. A maior cultura médica de Sergipe. Combativo, corajoso, não fugia de conflitos, e respeitado por todos. Ninguém enfrentava Piva e quem enfrentou perdeu. Procuramos o Dr. Piva e fizemos o convite: professor, precisamos do senhor para legitimar o nosso Sindicato. Ele aceitou... Dr. Piva foi militante no antigo Partido dos Trabalhadores, no tempo que isso significava acreditar em mudanças para o Brasil. (no momento que escrevo, estou ouvindo a delação de Palocci na TV).

Pesquisador destacado na área da patologia parasitária, a sua tese de doutoramento em 1961, foi sobre Esquistossomose do Aparelho Genital Inferior. Nesse período, só existiam dois doutores em Sergipe: Luciano Duarte em filosofia e Nestor Piva em medicina. Piva fez Pós-graduação em histoquímica com o Prof. Vialli – Universidade de Pávia – Itália, de janeiro a julho de 1961, recebendo o Prêmio Pravaz. Pós-graduação em Patologia no National Institute of Pathology - Prof.George Glenner - Bethesda-MDUSA, de julho de 1965 a julho de 1966. Publicou (Parasitology - USA, Acta Dermato Venerealogia Scandinávia, Riv. Italiana de Histochimica). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Patologia no período de 1985 - 1987.

Em 1956, Piva casou-se com a baiana Bernadete Rabello e com ela constituiu uma família com quatro filhos: Ana Cristina, Marta, Nestor Piva Filho e Augusto César. Em seu tempo livre, costumava distrair-se com a família e amigos, na pesca com molinete, percorrendo nos finais de semana, as praias de Sergipe e Alagoas, participando de campeonatos. Faleceu, sem deixar fortuna, em decorrência de um câncer pulmonar, em 21 de outubro de 2004, em Aracaju/SE, com 74 anos. Tentou o tratamento no Hospital Universitário de Porto Alegre, e foi tratado como indigente. Retornou a Aracaju, sabia da gravidade do seu problema e não aceitou nenhum tratamento invasivo, só cuidados paliativos. Sepultado no Cemitério Colina da Saudade, Aju/SE. Rendo as minhas homenagens ao querido professor...

Blog de Antonio Samarone > blogdesamarone.blogspot.com.br

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antônio Samarone.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Professor Olimpinho sempre foi um pioneiro

Foto: Antônio Samarone - Reproduzida do Facebook/Antonio Samarone
Postada pelo blog "SERGIPE...", para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Blog Ivan Valença/Infonet, em 08/09/2017.

Professor Olimpinho sempre foi um pioneiro
Por Ivan Valença.

O Professor Olímpio Seixas confessava com orgulho, que é um ser bafejado pela sorte. E explicava: foi pioneiro na formatação de uma escola de inglês no Estado de Sergipe. 

No Brasil, a primeira escola de inglês em áudio visual foi de sua propriedade. A primeira escola de inglês no Norte e Nordeste do Brasil com laboratório de língua, o que facilitava muito o aprendizado. Foi Olimpinho, como é conhecido, quem introduziu na sociedade sergipana a primeira calculadora eletrônica. A primeira calculadora digital também foi usada por ele. E também o primeiro relógio eletroeletrônico digital. 

“Sem falar que eu fui o primeiro a usar o primeiro computador quando este equipamento era ainda inédito até nos Estados Unidos”. E de onde ele trazia tantas novidades?  Dos Estados Unidos, para onde viajava sempre... 

Embora já afastado das salas de aula, Olimpinho continua um admirador das escolinhas para o ensino de língua estrangeira.  

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Pastor Gerson Vilas-Bôas e os 50 anos da Igreja Batista Betel


Publicado originalmente no site Sergipe Notícias, em 20/07/ 2017.

Igreja Batista Betel celebra Jubileu de Ouro
                                                                             
Com um grupo de aproximadamente 80 irmãos liderados pelo pastor Gerson Vilas-Bôas, foi formada a Igreja Batista Betel no dia 21 de julho de 1967. Agora em 2017, a Igreja completa 50 anos de organização eclesiástica e para celebrar o Jubileu de Ouro, a entidade elaborou vasta programação com a realização de cultos especiais, orações e louvores com a participação das mais 40 igrejas e congregações presentes na capital e no interior do Estado.

Com mais de 3 mil fiéis, a comunidade Betel, ao longo desses 50 anos escreveu sua história como a Casa de Oração, mas também é marcada como a Igreja que investe no ensino da Palavra de Deus. Há 30 anos, o Pastor Gerson Vilas-Bôas fundou o Seminário Superior de Teologia e Missões que oferece os cursos médio e Bacharel em Teologia. Até o ano de 2016, formou mais de 1.000 líderes de várias igrejas e alfabetizou mais de 12 mil jovens e adultos na capital e no interior do Estado de Sergipe.

Em cinco décadas, a Betel criou programas de rádio e de TV e lançou mão da rede Web, levando a Palavra de Deus a todos os lugares. Desde o dia 04 de junho que a igreja celebra o Jubileu de Ouro com cultos, evangelização, louvores, batismo, ceia, e , doações de sangue por parte dos líderes e fiéis. A programação se encerra nos dias 22 e 23 de julho na sede da Betel em Aracaju.

“O objetivo é pregar a Cristo, que transforma o homem, dando-lhe a certeza da salvação e inserindo na sociedade, recuperado e ajudando em sua restauração. Temos pessoas em todos os Estados brasileiros e em vários países que já congregaram na Igreja Batista Betel”, pontuou pastor Gerson ao agradecer pelos 50 anos de missões.

Pastor Gerson Vila-Bôas

Gerson Vilas-Bôas nasceu no dia 1º de novembro de 1934, na fazenda Cajazeiras, município de Lage, Bahia. Pertencente à família batista do Sr. Manuel Vilas-Bôas e D. Rosa Peixoto Vilas-Bôas, os quais tiveram oito filhos, dos quais, três estão vivos. Mas essa história de amor ao evangelho começou com a chegada do missionário batista norte-americano, Salomão Ginsburg, levado pelo Sr. João Barbosa, à Fazenda Sete Voltas, de seus avós maternos, Sr. Francisco Peixoto e Sra. Júlia Gonçalves Peixoto.

Gerson Vilas-Bôas, aos 11 anos de idade, converteu-se ao Protestantismo. Ajudava seus pais financeiramente, vendendo tecidos na Loja A Bahiana, de propriedade do Sr. Almir Peixoto. Aos 13 anos, ele e a família mudaram-se para o município de Ibicuí e, lá, trabalhou em outra loja de tecidos, do Sr. Antônio Moura.

Em 1952, com 18 anos, seguiu para o Colégio Taylor-Egídio, instituição batista, na cidade baiana de Jaguaquara, com o objetivo de concluir o Ensino Fundamental e, no ano de 1958, finalizou o Ensino Médio. Durante o período que estudou, conseguiu levar suas três irmãs, Nalva Vilas-Bôas, Júlia Vilas-Bôas e Celidalva Vilas-Bôas, a estudarem também na mesma instituição.

Em 1959, sua visão empreendedora o levou a estudar em um dos melhores e maiores seminários de Teologia do país, o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, localizado na cidade de Recife. Antes de finalizar o curso, que possuía duração de quatro anos, foi consagrado ao pastorado. No dia 21 de julho de 1961, assumiu a Igreja Batista do Engenho do Meio, na capital pernambucana. Naquela cidade, ele conheceu sua esposa, carioca, Nádia Fraga Vilas-Bôas. No ano de 1965, o casal veio morar em Aracaju. Possui duas filhas, Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento e, Rosa Raquel Vilas-Bôas Moura; dois netos, Gerson Vilas-Bôas Neto e, Raquel Vilas-Bôas Moura; e, os genros, Jorge Carvalho do Nascimento e, Francisco Quintino de Moura.

Além do curso superior de Teologia, o Pr. Gerson Vilas-Bôas possui graduação em Pedagogia (1971, UFS) e em Filosofia (1971, PUC/PE), cursos de especialização em Orientação Educacional (UFS), Ocupação Profissional (FGV) e, em Psicologia (UFS). Além disso, é Doutor em Teologia (23/07/2003), em Eclesiologia (26/10/2006) e, Doutor em Divindade (28/12/2005) pela Faculdade de Ensino Teológico de São Paulo. Possui também um Pós-Doutorado em Teologia, com ênfase em Judaísmo Messiânico (28/10/2010), pelo Seminário Internacional de Teologia, de Ituiutaba, Minas Gerais.

Em 1983, assumiu a função de Secretário de Administração Geral da Convenção Batista Nacional e passou 12 anos à frente dessa organização implantando igrejas, congregações, seminários, creches e orfanatos em 12 países. Durante a sua gestão, foi comprada a sede da CBN no coração de Brasília, além de nove terrenos e uma chácara nos arredores da Capital Federal.

Foi Deputado Federal pelo Estado de Sergipe, no período de 1990 a 1991 e, durante os anos de 1998 e 1999, foi Vereador em Aracaju. No ano de 1985, assumiu a Presidência da Fundação de Desenvolvimento Social do Estado de Sergipe/FUNDESE.

Igreja Batista Betel

Atualmente a Igreja Batista Betel é formada pela Sede e por mais 40 Igrejas e Congregações, localizadas em Aracaju – Paraíso do Sul, Aracaju – Veneza, Aracaju – 17 de Março, Aracaju – Augusto Franco, Aracaju – Orlando Dantas, Aracaju – Siqueira Campos, Itabi – Centro, Dores – Centro, Canindé – Prainha, Canindé – Olaria, Canindé – Centro, Graccho Cardoso – Centro, Graccho Cardoso – Riachinho, Carmópolis – Centro, Rosário de Catete – Siririzinho, Lagarto – Centro, Lagarto – Colônia 13, Lagarto – Loiola 2, Lagarto –  Matinha, Lagarto – Pista de Boquim,  Salgado – Água Fria, Salgado – Centro, Salgado – Saco Encantado, Riachão do Dantas – Barro Preto, Glória – Centro, Glória – Silos, Gararu – Barriguda, Gararu – Lagoa Rasa, Gararu –  Pias, Feira Nova – Centro, Barra dos Coqueiros, Poço Redondo – Centro, São Cristóvão – Várzea Grande, São Cristóvão – Tijuquinha, São Cristóvão – Luiz Alves, Barra dos Coqueiros, Itaporanga D’Ajuda – Minante, Itaporanga d’Ajuda – Centro , Siriri – Centro, Socorro – Parque dos Faróis.

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