quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Registro de falecimento do fotógrafo Amisabade


Aracaju(SE), 18 de setembro de 2017.

Comunicado e depoimento de seu filho Mateus Santos Major. 

"É com muito pesar que informo o falecimento do meu pai Amisabade dos Santos Misa".

"Nós nunca estamos preparados para perder... Hoje perco meu pai, a dor é substituída pela certeza que hoje papai do Céu o já recebeu para uma nova jornada ao seu lado e quem sabe nos reencontramos naquele grande Dia ao qual Deus irá nos buscar, sempre guardarei em meu coração coisas boas ao qual vivenciei e primacialmente o momento que o abracei. Descanse em paz Painho... O senhor sempre será lembrado nos anais da fotografia o pioneiro o louco que serviu de base para muitas empresas de marketing publicitário, o melhor fotógrafo do estado. Entre outras coisas um guerreiro que como todo homem errou e acertou". (Mateus Santos Major).

Texto e foto reproduzidos do Facebook/Mateus Santos Major).

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Depoimento e homenagem de Fábio Antônio a Amisabade.

“... Pra quem não conheceu sua trajetória, foi um dos pioneiros em Fotografias de Estúdio no Estado de Sergipe, Lutou contra o Governo do Estado (e conseguiu) para que a fotografia hoje do seu RG, pudesse ser feita de forma livre e democrática, pois antes era obrigatório ser feita no próprio Instituto de Identificação...” (Fábio Antônio).

Reproduzido do Facebook/Fábio Antônio.

sábado, 16 de setembro de 2017

Mestres da Medicina em Sergipe - Dr. Todt


Publicado originalmente no Facebook/Antonio Samarone, em 12 de setembro de 2017.

Dietrich Wilhelm Todt IETRICH WILHELM TODT (um alemão, nascido na Bahia, com a alma sergipana).

Por Antônio Samarone.

O Dr. Todt nasceu em 27 de dezembro de 1937, na Maternidade Climério de Oliveira, em Salvador/BA. Só nasceu, pois na verdade é natural de Cachoeira do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano. O pai, Hans Karl Todt (João Carlos Todt), veio da Alemanha logo após a Primeira Guerra, para trabalhar nas fábricas de charutos Dannemann e Suerdieck, empresas de origem alemãs; a sua mãe é a baiana Stella Machado Todt. O Dr. Todt fez o primário no Colégio Montezuma, em Cachoeira; e o secundário no Colégio Maristas, em Salvador.

Em 1958, entrou na Universidade no curso de medicina veterinária, tendo concluído em 1962. Como médico veterinário, foi funcionário da Inspetoria Sanitária da Bahia. Em paralelo, em 1959 foi também aprovado no vestibular para o curso de medicina. Como não era possível fazer os dois cursos ao mesmo tempo, esperou concluir o de Veterinária, e em 1963, começou para valer o curso de medicina, tendo se tornado médico em 1968. Em resumo, o Dr. Todt formou-se em medicina veterinária em 1962; e em medicina em 1968.

Atendendo ao convite do concunhado Dr. José Augusto Barreto, transferiu-se para Aracaju logo após a conclusão do curso de medicina. Atuou no INAMPS, inicialmente no Serviço de Emergências Médicas da Previdência Social (SAMDU). Foi plantonista do Pronto Socorro do Hospital de Cirurgia, atuando ao lado dos colegas Fernando Felizola e Fernando Sampaio. Pertenceu ao corpo clínico do Hospital São José. Em 1972 prestou concurso para a UFS, lecionando a disciplina parasitologia, depois substituiu Aírton Teles na clínica, após fazer o mestrado em pneumologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no serviço do professor Mário Rigatto, nos anos de 1976 e 1977. Na chegada do Dr. Todt à Sergipe, surgiu um boato no meio médico, dizia-se a boca miúda: o Dr. José Augusto Barreto é tão influente, que trouxe um concunhado da Bahia, que mesmo sendo médico veterinário está atendendo gente no hospital.

O Dr. Todt iniciou a nova pneumologia em Sergipe, a especialidade com vocação clínica, próxima a cardiologia. Antes, os médicos especializados em pulmão eram os tisiologistas, centrados no combate da tuberculose e ligados à Saúde Pública. Tisiologistas tivemos Paulo Faro, José Maria Rodrigues, Lourival Bonfim, entre outros. Na pneumologia clínica o pioneiro foi o Dr. Todt. A especialidade teve grande avanço com a descoberta dos corticoides inalatórios, dando um impulso no tratamento da asma, antes de baixa eficácia. Usava-se o chá de zabumba (Brugmansia suaveolens), uma planta alucinógena, no tratamento da asma.

O Dr. Todt participou, ao lado de José Augusto Barreto e outros colegas, na criação da Clínica São Lucas, em 18 de outubro de 1969, sendo o seu Diretor Clínico. Em seguida, a Clínica se transformou no atual Hospital São Lucas. Dr. Todt foi fundador da Sociedade Sergipana de Pneumologia, tendo exercido a presidência da entidade por dois mandatos. Presidiu o 11º Congresso Norte Nordeste de Pneumologia, realizado em Aracaju. Membro fundador da Academia Sergipana de Medicina, onde ocupa a cadeira de número quinze, que tem como patrono o Dr. Gérson Siqueira Pinto.

O Dr. Todt é casado desde 1964, com a nutricionista Eunice de Azevedo Todt (Dona Nicinha), pai de seis filhos (Ângela, Ana Luiza, João Carlos, Maurício, Sérgio e Miguel); avô de onze netos e bisavô de Alice. Por influência do pai, o Dr. Todt é torcedor do Fluminense e possui a alma luterana, mas acompanha a esposa nos cultos católicos. Aos oitenta anos, o Dr. Todt mantém a disciplina germânica, uma memória intacta e a clareza do dever cumprido. Acredita que a medicina artesanal, humanizada, centrada na relação médico paciente é superior a atual medicina dos procedimentos, centrada apenas na incorporação da tecnológica. “É fundamental o toque, o contato, a atenção acolhedora aos pacientes”, nos ensina o Dr. Todt. (foto: Dr. Todt e dona Nicinha).

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antonio Samarone.

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terça-feira, 12 de setembro de 2017

O Piano’s Bar do Zenóbio

Foto atual para Divulgação/Reproduzida do site: infonet.com.br
Postada pelo blog "SERGIPE...",  para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 13 de março de 2013.

O Piano’s Bar do Zenóbio.
Por Amaral Cavalcante.

Cuidado!
Neste bar a natureza indomada de Zenóbio Alfano se precipita sobre os teclados.
Irrompe por aqui uma tempestade de sons tão poderosa que pode arrancar da gente a lucidez, o tino.

O Piano’s Bar ficava na pracinha da Atalaia numa casa sem graça, enterrada meio metro abaixo da rua. Terá sido, nos primórdios, morada de pescador, ainda guardando nas paredes de reboco a fuligem de antigos candeeiros.

Duvido que algum outro bar nos anos 80, tornasse Aracaju tão aldeia universal, irmã do mundo. Ali, a moçada inquieta se gastava em reverência à grande musica, desde os lundus de Nepomuceno às lisergias de Pink Floyd, desde a serena Nara Leão aos espantos da tropicalia. Essa cidade já foi assim.

Vamos entrar! Na varanda, sob a proteção de amendoeiras frondosas ficava a gataria sarada. Era onde a "jeunesse dorée" da província afiava as garras com o olhar cacheado e certo enfado fortuito. Eram os cobiçados pomos do jardim, delícias expostas como no éden o pecado cor-de-rosa das maçãs. Adiante, no patamar da calçada, mesas de papo solto, onde os amantes se apalavram, os amigos se queriam, os inimigos se reconciliavam. E lá pra dentro, sob um telhado de caibros tortos e a persistência de um sagüi chamado Nico - guinchador de primeira e viciado em batata frita –, dominava a melodia selvagem de Zenóbio Alfano, com seu piano envenenado a conduzir com danações e cânticos, o sabá de emoções coletivas.

O palco era no chão e cabia às mesas mais próximas suprir de uísque e reverência os bruxos da orquestra. Era Pantera menino - um galgo de dedos tristes dedilhando o coração - era Ademir, era o pequeno Fradinho, que acreditávamos ter conluio com o diabo, tal mefistofélica era a gravidade do seu baixo. Tuum! O som apolíneo do contrabaixo nos trazia à tona, quando o desesperado jazz afogava nos quintos dos infernos o descompassado coração da casa.
Zenóbio, ao piano, um cataclismo sem limites, um gênio se esgarçando em sons como uma potestade louca a naufragar costados.

Na bateria, o timoneiro Pascoal, maneiro como se nem estivesse ali, manso e preciso. E finalmente a elegância de Alexandre no trompete, a placidez do intermezzo apaziguando as águas como a providência de um farol conduzindo de volta nossas redes pródigas de sonoros peixes.

Assim era o Piano’s Bar do Zenóbio Carmelo Alfano.
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Texto reproduzido do Facebook/Amaral Cavalcante.
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sábado, 9 de setembro de 2017

Mestre da Medicina em Sergipe - Nestor Piva


Publicado originalmente no Facebook/Antônio Samarone, em 07/09/2017.

Mestre da Medicina em Sergipe - Nestor Piva.
Por Antônio Samarone.

Nestor Piva, oitavo filho de Alberto Piva e Laura Piva, nasceu em 13 de junho de 1930, em Salvador/BA. Imigrantes italianos, operários de tecelagem, ao chegarem ao Brasil passaram pelas fábricas dos Matarazzos, em São Paulo; Bangu, no Rio de Janeiro; Pelotas, Rio Grande do Sul; até chegarem a fábrica dos Catarinos, em Salvador. Nestor Piva perdeu o pai aos três anos, o irmão mais velho, Inocêncio Piva, assumiu as funções paternas. Estudou o primário no Colégio do Professor Eufrates, em Salvador; e o restante dos estudos no Ginásio da Bahia. Em 1948, ingressou na centenária Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, criada por D. João VI. A opção pela patologia foi precoce, desde cedo trabalhou em laboratório e dominou as suas técnicas.

Nestor Piva foi campeão juvenil no futebol pelo Galícia, vice-campeão baiano de vôlei pelo Fluminense, e campeão de basquete pelo Bahia. Por muitos anos jogou tênis na Associação Atlética de Sergipe; participou do movimento de rádio amador, e tinha um xodó especial pela pescaria. Foi fundador e presidente do Clube de Pesca de Sergipe. Um verdadeiro desportista.
Em 1954, o Dr. Augusto Leite convidou o professor baiano Aníbal Silvani para assumir o serviço de patologia do Hospital de Cirurgia, em substituição ao patologista alemão Konrad Schimitt, que retornava a sua terra. Silvani não aceitou, mas indicou o seu aluno Nestor Piva, ainda doutorando para o cargo. Piva chegava em Aracaju na sexta à tarde, trabalhava o final de semana, e retornava na segunda para Salvador.

Formou-se pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1954. Em 1955 organizou a disciplina de patologia da Faculdade de Medicina da Paraíba. Um ano após voltou para Salvador onde assumiu por concurso o cargo de médico do IAPC – Instituto de Aposentadoria dos Comerciários. Em 1959 transferiu-se para Aracaju atendendo convite dos médicos Juliano Simões e Fernando Sampaio, para retornar ao Hospital de Cirurgia que estava sem médico patologista. Augusto Leite e o Senador Leite Neto, conseguiram que o IAPC colocasse Piva à disposição do hospital. Todos os exames de patologia do estado, inclusive os do Hospital Santa Izabel, passaram a ser realizados no laboratório montado por Piva no Cirurgia. Um fato: ele não recebia nada por isso. Ele só montou outro laboratório, no São Lucas, quando o curso de medicina deixou o Hospital de Cirurgia.

Nestor Piva e Osvaldo Leite foram os primeiros professores da Faculdade de Medicina de Sergipe, fundada por Antônio Garcia, lecionando inicialmente histologia; e em seguida, professor titular da Patologia Geral, Especial e Bucal. Somente com a saída das instalações da Faculdade de Medicina do Hospital de Cirurgia, Piva resolveu fundar o seu Laboratório de Patologia no Hospital São Lucas, em sociedade com duas ex-alunas. O Dr. Piva assimilou rápido toda a modernidade e quis que o seu laboratório emitisse laudos com imagens digitalizadas e com as técnicas mais modernas de imuno-histoquímica.

Em 1972, transferiu-se para Brasília onde assumiu por concurso o serviço de patologia do Hospital das Forças Armadas. Nesse período foi professor adjunto de patologia da Universidade de Brasília, ocupando o cargo de chefe do Departamento. Permaneceu em Brasília por quatro anos, regressando a Sergipe atendendo o convite do então reitor da UFS, economista Aloísio Campos.

Na área administrativa, Dr. Piva exerceu vários cargos públicos: foi Diretor do Instituto de Biologia (1969/70); Chefe do Departamento de Medicina Interna e Patologia (1961/68); Diretor do Hospital Universitário, na administração do Reitor Eduardo Garcia; Pró-Reitor de Graduação, onde implantou o sistema de créditos na UFS, substituindo o antigo sistema seriado; Vice-Reitor da UFS; foi Secretário de Educação do Estado de Sergipe por nove meses, no governo de João de Andrade Garcez, tendo montado uma equipe de notáveis na educação (Gizelda Morais, Carmelita Pinto Fontes, Beatriz Góis, Núbia Marques, Carmen Mendonça, Silvério Fontes e Thetis Nunes). Com todos esses cargos ocupados, Piva nunca deixou a sala de aulas. Nestor Piva nomeia um dos hospitais do município de Aracaju.

Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe, onde atuou por dois mandatos. No início da década de 1980, um grupo de médicos recém-chegados da residência médica, desconhecido, estava decidido em fundar o sindicato dos médicos em Sergipe. Como legitimar esse sindicato, junto a uma categoria conservadora? O grupo tinha participado ativamente do movimento estudantil na UFS, quase todos de esquerda, como representar uma categoria tradicional? Tivemos uma ideia, vamos convidar um médico antigo e que tenha legitimidade. Quem? Não tivemos dúvidas: Nestor Piva. A maior cultura médica de Sergipe. Combativo, corajoso, não fugia de conflitos, e respeitado por todos. Ninguém enfrentava Piva e quem enfrentou perdeu. Procuramos o Dr. Piva e fizemos o convite: professor, precisamos do senhor para legitimar o nosso Sindicato. Ele aceitou... Dr. Piva foi militante no antigo Partido dos Trabalhadores, no tempo que isso significava acreditar em mudanças para o Brasil. (no momento que escrevo, estou ouvindo a delação de Palocci na TV).

Pesquisador destacado na área da patologia parasitária, a sua tese de doutoramento em 1961, foi sobre Esquistossomose do Aparelho Genital Inferior. Nesse período, só existiam dois doutores em Sergipe: Luciano Duarte em filosofia e Nestor Piva em medicina. Piva fez Pós-graduação em histoquímica com o Prof. Vialli – Universidade de Pávia – Itália, de janeiro a julho de 1961, recebendo o Prêmio Pravaz. Pós-graduação em Patologia no National Institute of Pathology - Prof.George Glenner - Bethesda-MDUSA, de julho de 1965 a julho de 1966. Publicou (Parasitology - USA, Acta Dermato Venerealogia Scandinávia, Riv. Italiana de Histochimica). Foi presidente da Sociedade Brasileira de Patologia no período de 1985 - 1987.

Em 1956, Piva casou-se com a baiana Bernadete Rabello e com ela constituiu uma família com quatro filhos: Ana Cristina, Marta, Nestor Piva Filho e Augusto César. Em seu tempo livre, costumava distrair-se com a família e amigos, na pesca com molinete, percorrendo nos finais de semana, as praias de Sergipe e Alagoas, participando de campeonatos. Faleceu, sem deixar fortuna, em decorrência de um câncer pulmonar, em 21 de outubro de 2004, em Aracaju/SE, com 74 anos. Tentou o tratamento no Hospital Universitário de Porto Alegre, e foi tratado como indigente. Retornou a Aracaju, sabia da gravidade do seu problema e não aceitou nenhum tratamento invasivo, só cuidados paliativos. Sepultado no Cemitério Colina da Saudade, Aju/SE. Rendo as minhas homenagens ao querido professor...

Blog de Antonio Samarone > blogdesamarone.blogspot.com.br

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Antônio Samarone.

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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Professor Olimpinho sempre foi um pioneiro

Foto: Antônio Samarone - Reproduzida do Facebook/Antonio Samarone
Postada pelo blog "SERGIPE...", para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Blog Ivan Valença/Infonet, em 08/09/2017.

Professor Olimpinho sempre foi um pioneiro
Por Ivan Valença.

O Professor Olímpio Seixas confessava com orgulho, que é um ser bafejado pela sorte. E explicava: foi pioneiro na formatação de uma escola de inglês no Estado de Sergipe. 

No Brasil, a primeira escola de inglês em áudio visual foi de sua propriedade. A primeira escola de inglês no Norte e Nordeste do Brasil com laboratório de língua, o que facilitava muito o aprendizado. Foi Olimpinho, como é conhecido, quem introduziu na sociedade sergipana a primeira calculadora eletrônica. A primeira calculadora digital também foi usada por ele. E também o primeiro relógio eletroeletrônico digital. 

“Sem falar que eu fui o primeiro a usar o primeiro computador quando este equipamento era ainda inédito até nos Estados Unidos”. E de onde ele trazia tantas novidades?  Dos Estados Unidos, para onde viajava sempre... 

Embora já afastado das salas de aula, Olimpinho continua um admirador das escolinhas para o ensino de língua estrangeira.  

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/ivanvalenca

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Pastor Gerson Vilas-Bôas e os 50 anos da Igreja Batista Betel


Publicado originalmente no site Sergipe Notícias, em 20/07/ 2017.

Igreja Batista Betel celebra Jubileu de Ouro
                                                                             
Com um grupo de aproximadamente 80 irmãos liderados pelo pastor Gerson Vilas-Bôas, foi formada a Igreja Batista Betel no dia 21 de julho de 1967. Agora em 2017, a Igreja completa 50 anos de organização eclesiástica e para celebrar o Jubileu de Ouro, a entidade elaborou vasta programação com a realização de cultos especiais, orações e louvores com a participação das mais 40 igrejas e congregações presentes na capital e no interior do Estado.

Com mais de 3 mil fiéis, a comunidade Betel, ao longo desses 50 anos escreveu sua história como a Casa de Oração, mas também é marcada como a Igreja que investe no ensino da Palavra de Deus. Há 30 anos, o Pastor Gerson Vilas-Bôas fundou o Seminário Superior de Teologia e Missões que oferece os cursos médio e Bacharel em Teologia. Até o ano de 2016, formou mais de 1.000 líderes de várias igrejas e alfabetizou mais de 12 mil jovens e adultos na capital e no interior do Estado de Sergipe.

Em cinco décadas, a Betel criou programas de rádio e de TV e lançou mão da rede Web, levando a Palavra de Deus a todos os lugares. Desde o dia 04 de junho que a igreja celebra o Jubileu de Ouro com cultos, evangelização, louvores, batismo, ceia, e , doações de sangue por parte dos líderes e fiéis. A programação se encerra nos dias 22 e 23 de julho na sede da Betel em Aracaju.

“O objetivo é pregar a Cristo, que transforma o homem, dando-lhe a certeza da salvação e inserindo na sociedade, recuperado e ajudando em sua restauração. Temos pessoas em todos os Estados brasileiros e em vários países que já congregaram na Igreja Batista Betel”, pontuou pastor Gerson ao agradecer pelos 50 anos de missões.

Pastor Gerson Vila-Bôas

Gerson Vilas-Bôas nasceu no dia 1º de novembro de 1934, na fazenda Cajazeiras, município de Lage, Bahia. Pertencente à família batista do Sr. Manuel Vilas-Bôas e D. Rosa Peixoto Vilas-Bôas, os quais tiveram oito filhos, dos quais, três estão vivos. Mas essa história de amor ao evangelho começou com a chegada do missionário batista norte-americano, Salomão Ginsburg, levado pelo Sr. João Barbosa, à Fazenda Sete Voltas, de seus avós maternos, Sr. Francisco Peixoto e Sra. Júlia Gonçalves Peixoto.

Gerson Vilas-Bôas, aos 11 anos de idade, converteu-se ao Protestantismo. Ajudava seus pais financeiramente, vendendo tecidos na Loja A Bahiana, de propriedade do Sr. Almir Peixoto. Aos 13 anos, ele e a família mudaram-se para o município de Ibicuí e, lá, trabalhou em outra loja de tecidos, do Sr. Antônio Moura.

Em 1952, com 18 anos, seguiu para o Colégio Taylor-Egídio, instituição batista, na cidade baiana de Jaguaquara, com o objetivo de concluir o Ensino Fundamental e, no ano de 1958, finalizou o Ensino Médio. Durante o período que estudou, conseguiu levar suas três irmãs, Nalva Vilas-Bôas, Júlia Vilas-Bôas e Celidalva Vilas-Bôas, a estudarem também na mesma instituição.

Em 1959, sua visão empreendedora o levou a estudar em um dos melhores e maiores seminários de Teologia do país, o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, localizado na cidade de Recife. Antes de finalizar o curso, que possuía duração de quatro anos, foi consagrado ao pastorado. No dia 21 de julho de 1961, assumiu a Igreja Batista do Engenho do Meio, na capital pernambucana. Naquela cidade, ele conheceu sua esposa, carioca, Nádia Fraga Vilas-Bôas. No ano de 1965, o casal veio morar em Aracaju. Possui duas filhas, Ester Fraga Vilas-Bôas Carvalho do Nascimento e, Rosa Raquel Vilas-Bôas Moura; dois netos, Gerson Vilas-Bôas Neto e, Raquel Vilas-Bôas Moura; e, os genros, Jorge Carvalho do Nascimento e, Francisco Quintino de Moura.

Além do curso superior de Teologia, o Pr. Gerson Vilas-Bôas possui graduação em Pedagogia (1971, UFS) e em Filosofia (1971, PUC/PE), cursos de especialização em Orientação Educacional (UFS), Ocupação Profissional (FGV) e, em Psicologia (UFS). Além disso, é Doutor em Teologia (23/07/2003), em Eclesiologia (26/10/2006) e, Doutor em Divindade (28/12/2005) pela Faculdade de Ensino Teológico de São Paulo. Possui também um Pós-Doutorado em Teologia, com ênfase em Judaísmo Messiânico (28/10/2010), pelo Seminário Internacional de Teologia, de Ituiutaba, Minas Gerais.

Em 1983, assumiu a função de Secretário de Administração Geral da Convenção Batista Nacional e passou 12 anos à frente dessa organização implantando igrejas, congregações, seminários, creches e orfanatos em 12 países. Durante a sua gestão, foi comprada a sede da CBN no coração de Brasília, além de nove terrenos e uma chácara nos arredores da Capital Federal.

Foi Deputado Federal pelo Estado de Sergipe, no período de 1990 a 1991 e, durante os anos de 1998 e 1999, foi Vereador em Aracaju. No ano de 1985, assumiu a Presidência da Fundação de Desenvolvimento Social do Estado de Sergipe/FUNDESE.

Igreja Batista Betel

Atualmente a Igreja Batista Betel é formada pela Sede e por mais 40 Igrejas e Congregações, localizadas em Aracaju – Paraíso do Sul, Aracaju – Veneza, Aracaju – 17 de Março, Aracaju – Augusto Franco, Aracaju – Orlando Dantas, Aracaju – Siqueira Campos, Itabi – Centro, Dores – Centro, Canindé – Prainha, Canindé – Olaria, Canindé – Centro, Graccho Cardoso – Centro, Graccho Cardoso – Riachinho, Carmópolis – Centro, Rosário de Catete – Siririzinho, Lagarto – Centro, Lagarto – Colônia 13, Lagarto – Loiola 2, Lagarto –  Matinha, Lagarto – Pista de Boquim,  Salgado – Água Fria, Salgado – Centro, Salgado – Saco Encantado, Riachão do Dantas – Barro Preto, Glória – Centro, Glória – Silos, Gararu – Barriguda, Gararu – Lagoa Rasa, Gararu –  Pias, Feira Nova – Centro, Barra dos Coqueiros, Poço Redondo – Centro, São Cristóvão – Várzea Grande, São Cristóvão – Tijuquinha, São Cristóvão – Luiz Alves, Barra dos Coqueiros, Itaporanga D’Ajuda – Minante, Itaporanga d’Ajuda – Centro , Siriri – Centro, Socorro – Parque dos Faróis.

Texto e imagem reproduzidos do site: senoticias.com.br

Agonalto Pacheco e o Hércules 56

A Famosa fotografia - De pé, a partir da esquerda: Luís Travassos, José Dirceu, 
José Ibrahim, Onofre Pinto, Ricardo Vilas, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, 
Ricardo Zarattini e Rolando Frati. Agachados: João Leonardo Rocha, 
AGONALTO PACHECO, Vladimir Palmeira, Ivens Marchetti e Flávio Tavares.

Publicado originalmente no Portal Infonet, em 05/09/2017.

Agonalto Pacheco e o Hércules 56.
Por Marcos Cardoso.

Há dez anos, a morte do velho comunista Agonalto Pacheco...

Há dez anos, a morte do velho comunista Agonalto Pacheco, aos 80 anos, reduzia a fileira dos que defendiam uma sociedade ideal, um mundo onde todos seriam iguais e teriam acesso aos bens e serviços de acordo com suas necessidades. Marxista, defendia o socialismo científico, que estabeleceu os meios para se atingir a sociedade de iguais que substituiria a ordem injusta e imoral do liberalismo capitalista. Pura utopia, a história insiste em provar. A democracia é o pior dos regimes, à exceção de todos os demais, como disse Churchill, e o homem moderno não conhece democracia fora do sistema capitalista, infelizmente — ou não.

Agonalto era um romântico que levou às últimas consequências a realização do seu sonho. Militante desde a adolescência do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão, mudou-se para São Paulo após o golpe de 64, onde se aliou à Ação Libertadora Nacional (ALN), de Carlos Marighella, principal dirigente da luta armada contra a ditadura. Era o homem simples, de Aquidabã, pegando em arma contra o regime militar.

Foi preso em janeiro de 1969 quando organizava uma reunião nacional de proscritos. Torturado no Dops de São Paulo para delatar Marighella, que sabia onde estava escondido, resistiu estoicamente. O pau-de-arara e a cadeira do dragão não dobraram o sergipano magro, comprido, suave, mas de propósitos definidos, que possuía a convicção dos que sabem onde querem chegar.

“Essa frente que eu abracei é uma frente como outra qualquer, mas com um agravante: você pode sair aleijado, cego ou para o cemitério”, contou no depoimento para Osmário Santos mais de dez anos depois do fim da ditadura, mas ainda como quem guardava um segredo escondido por trás das palavras. Por causa da tortura e, principalmente, de um murro no estômago passou vários dias sem poder se mexer.

AGONALTO IMORTALIZOU-SE NA FOTOGRAFIA — No dia 4 de setembro, os companheiros da ALN e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), dentre eles o jornalista e ex-deputado federal Fernando Gabeira e o jornalista Franklin Martins, realizaram o ato mais ousado da guerrilha urbana no Brasil: o sequestro, no Rio de Janeiro, do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Charles Burke Elbrick. O resgate seria pago com a libertação de 15 presos políticos e a divulgação de um manifesto.

Alguns daqueles presos políticos se tornaram conhecidos, como José Dirceu, que viria a ser homem forte do PT e no primeiro governo Lula, e Vladimir Palmeira, ex-deputado federal e também fundador do PT. Eles aparecem na célebre foto onde 13 dos 15 que iriam para o exílio posam, mãos amarradas, em formação de time de futebol, à porta do Hércules 56 que os levaria ao México. Antes passariam em duas capitais: Recife, onde apanhariam o legendário líder comunista pernambucano Gregório Bezerra, e Belém, onde pegariam Mario Zaconatto, um jovem militante do PCB.

Agonalto Pacheco imortalizou-se naquela foto, o segundo da esquerda para a direita, entre João Leonardo e Vladimir, agachado na pista do Galeão. São 13 quase maltrapilhos, aspectos sofridos, barbas por fazer.

“Ficamos sobrevoando o Estado do Amazonas. Eles ficaram sobrevoando, ameaçando jogar a gente no rio Amazonas. Foi uma viagem apreensiva. Chegamos ao México no dia 7 de setembro, à tarde, pois eles achavam que podiam ainda localizar o embaixador. Comunicamos nossa chegada no México, e aí eles soltaram o embaixador”, contou.

O governo atendeu às reivindicações dos revolucionários, os presos políticos foram enviados para o México e o manifesto foi publicado nos principais jornais e divulgado em todas as rádios e televisões. Quando o embaixador foi libertado, seguiu-se uma feroz repressão, que levou ao assassinato, ainda em setembro e sob tortura, de Virgilio Gomes da Silva, o “Jonas”, e de Carlos Marighella. Na noite de 4 de novembro de 1969, o líder da ALN foi surpreendido por uma emboscada na capital paulista. Foi varado pelas balas dos agentes do Dops sob a chefia do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

O ESPÍRITO CONCILIADOR DO VELHO COMUNISTA — Agonalto Pacheco viveu no exterior, principalmente em Cuba, retornado ao Brasil após a anistia sancionada em agosto de 1979. Primeiro São Paulo, depois Aracaju. Na capital sergipana, onde fora vereador no final dos anos 50, ele voltou à atividade política, trabalhando no Partidão ou no PMDB e em alguns pequenos cargos públicos. Nas atividades partidárias, Agonalto era respeitado pela experiência e pela tranquilidade com que defendia suas teses. Era um conciliador, sempre disposto a pacificar as posições contrárias.
Depois que o seu querido PCB naufragou, ele desiludiu-se da política. Morreu amargurado com a vida pública, segundo revelam seus filhos. Mas manteve a simplicidade e a dignidade até o fim.

O espírito conciliador do velho comunista estava presente no próprio velório, onde os cristãos se benziam e faziam orações silenciosas diante do corpo inerte do materialista dentro de um caixão coberto pela bandeira vermelha do Partido Comunista.

Texto e imagem reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs/marcoscardoso

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O papel das academias literárias no século XXI

Imagem reproduzida do site: academiamaconicadesergipe.com.br
Postada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Texto publicado originalmente no Portal Infonet, em 29/08/2017.

O papel das academias literárias no século XXI

Palestra na Academia Maçônica Sergipana de Artes

* Palestra proferida por Domingos Pascoal em comemoração aos 20 anos da Academia Maçônica Sergipana de Artes, Ciências e Letras

Estamos aqui para falar um pouco sobre uma instituição milenar que conhecemos como “Academia Literária”, mas que pode ser também universitária, artística, científica, esportiva, musical, filosófica... O nosso objetivo é pensar esta instituição no Século XXI. Porém necessário se faz jogar um pouco de luz na história e, mesmo que em rápidas palavras, dizer um pouquinho mais sobre esta tão antiga entidade.

Ela nasceu na era clássica do pensamento grego, no auge da filosofia, exatamente no tempo dos maiores pensadores da humanidade: Sócrates, Platão e Aristóteles. Mais precisamente, foi Platão quem fundou sua escola naquele lugar chamado “Jardim de Academus”, daí o nome “Academia”, um espaço de estudos, na verdade, uma confraria, uma congregação, de pessoas que buscavam o conhecimento. As principais matérias ali discutidas foram: aritmética, geometria, astronomia e a filosofia.

Naquele espaço sagrado ao saber, Platão forjou a ideia e o nome que até hoje se pratica. Mas os três mestres quase contemporâneos – Sócrates (470/399), Platão (428/347) e Aristóteles (384/322) a.C. – construíram muito mais, criaram história e escolas. Escolas do pensamento. Sócrates, o primeiro, com a Maiêutica ou “partos das ideias”. Ele andava pelos jardins, ruas e praças de Atenas levantando questões básicas de moralidade e política. As pessoas reuniam-se à sua volta e a cada resposta dada, ele fazia uma nova pergunta, pois, segundo ele mesmo, queria aprender também. Afirmava com muita sabedoria: "eu só sei que nada sei".

Diferente de Platão, Sócrates não fundou nenhuma escola num lugar determinado. As suas “salas de aula” como se viu eram as ruas e praças.
Aristóteles também criou uma escola, o Liceu, e também uma sistemática nova e diferenciada de educar. As suas aulas aconteciam ao ar livre, caminhando pelos jardins do Liceu, lendo e fazendo preleções. Esta forma de transmissão do conhecimento ficou conhecida como “aulas peripatéticas”.

Pelo que vimos, a Academia Literária nasceu escola, “ensinante” de um lado e “aprendente” do outro, entremeados com o conhecimento e saberes transitando através de proposições dialogais, numa dialética do ensinar e aprender.
Mas a nossa referência aqui no Brasil é a Academia Francesa, fundada por Richelieu, em 1635. A Academia de Richelieu tem uma conformação diferente, é mais estruturada com número determinado de membros: 40 cadeiras, 40 patronos, vitaliciedade acadêmica, a admissão de um novo membro só acontece por falecimento de um dos ocupantes e há eleição para o preenchimento da vaga. Este foi o modelo por nós brasileiros adotado.

Nos séculos que se seguiram, surgiu na Europa uma "onda" de academias, a partir da Itália, passando por França, Espanha e Portugal. Esta agitação cultural ficou conhecida por “movimento academicista”. Em Portugal, dentre as várias academias fundadas, uma teve particular importância para o surgimento da primeira academia aqui no Brasil ainda colônia.

Foi o caso da Academia Real da História Portuguesa (1720 – 1776), em Lisboa. Esta academia, segundo registrou Alberto Lamego, aceitava membros de todas as outras colônias – exceto do Brasil. Esta discriminação fez com que os brasileiros, sentidos com a arbitrariedade daquela Arcádia portuguesa, criassem aqui, em março de 1724, na cidade de Salvador, Bahia, a “Academia dos Esquecidos”. Mas esta academia teve vida efêmera e foi encerrada já em fevereiro de 1725.

Após 34 anos, em junho de 1759, o conselheiro do ultramar na Bahia, o grande intelectual José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho Melo, tentando resgatar a Academia dos Esquecidos, fundou a Academia dos Renascidos. Porém esta é que teve vida curta, inclusive com a prisão do seu fundador, em novembro do mesmo ano. Pombal mandou então "sepultá-lo vivo", encarcerando-o junto com toda sua criadagem e livros na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, em Santa Catarina, e depois de 1774, na Fortaleza de São José da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, permanecendo em cativeiro por dezessete anos. Contudo, sua traição nunca ficou provada, e após a morte de dom José I e a queda do Marquês de Pombal, foi indultado por dona Maria I, regressando, já muito velho, a Portugal.

A Academia mais antiga do Brasil, ainda em funcionamento, é a Academia Cearense de Letras, fundada no dia 15 de agosto de 1894, três anos antes da Academia Brasileira de Letras, criada no dia 20 de julho de 1897. A Academia Sergipana de Letras foi fundada no dia de 1º de junho de 1929. Com base territorial em todo o estado de Sergipe, tem um trabalho muito bom junto à sociedade intelectualizada há mais de oitenta anos. O MAC – Movimento de Apoio Cultural Antônio Garcia Filho – da Academia Sergipana de Letras também vem já há muitos anos prestando apoio à Academia Sergipana de Letras, fazendo um bom trabalho, inclusive preparando acadêmicos para a Academia Sergipana de Letras. É o meu caso... E lançará em breve a primeira Antologia dos Macadêmicos, com simbólico nome “Sob o Sol do Sodalício”.

Até 2010, com exceção da capital, não havia nas cidades sergipanas nenhuma academia literária. A partir de então vem sendo feito um trabalho apoiado pela Academia Sergipana de Letras, o que já resultou na criação de 17 Academias, a maioria funcionando muito bem. Inclusive fazendo um trabalho significativo junto aos estudantes de todas as escolas daquelas unidades. As academias que estão chegando acreditam na semeadura e descobriram que a verdadeira vocação de uma Arcádia Literária é exatamente aquela que foi mostrada há 2.400 anos pelos seus criadores.

As novas academias do interior, no dizer do prof. Jorge Henrique, ex-presidente da Academia Gloriense de Letras, são as “Mediadoras e promotoras do conhecimento” semeando ações.

Semear... esta é a palavra certa para o processo. Estamos certos de que:

“É até muito fácil você contar quantas sementes há dentro de uma laranja, mas será impossível você contar quantas laranjas poderá haver dentro de uma semente”.

Pense nisso! Você pode até saber quantas ideias você semeia, mas é impossível você prever o resultado.

A academia do século XXI está preocupada em semear boas ideias com a certeza de que a colheita, embora de difícil mensuração, será muito boa. Esta semeadura está acontecendo por todos os lados, inclusive pela Academia Sergipana de Letras e Academia Maçônica de Sergipe: publicação de livros, de antologias, encontros de escritores e leitores, acadêmicos indo às escolas, escolas indo às academias, palestras, oficinas, saraus, criação de grupos de estudo e apoio aos grupos já existentes de poetas, cronistas, contistas, cordelista... Só no eixo do sertão: Monte Alegre, Canindé, Glória (ALAS, várias cidades), Dores, Feira Nova, Poço Redondo, Aleixo e Aparecida. Já temos mais de 10 grupos estudando poesia, conto, crônica, somando com os grupos de Jovens Escritores de Itabaiana, Lagarto, Tobias Barreto, Neópolis, Riachuelo, Cristinápolis, Estância, Propriá...

Aqui na capital temos: Academia Sergipana de Letras, Academia de Letras Estudantil de Sergipe, Academia de Letras de Aracaju, Academia Sergipana de Medicina, Academia Literária de Vida,  Academia Sergipana de Ciências Contábeis, Academia de Ciências da Administração, Academia de Letras Jurídicas de Sergipe  e  a Academia Maçônica Sergipana de Artes, Ciências e Letras, também uma academia do século XXI, fundada no dia 6 de outubro de 1997, sob a liderança do nosso Irmão José Francisco da Rocha, Rochinha, juntamente com os valorosos irmãos: Antônio Fontes Freitas, José Geraldo Dantas Bezerra, José Augusto Machado, Menilson Menezes, Jason Ulisses de Melo, Juvenal Francisco da Rocha Neto, José Sérgio de Aguiar Rocha e outros... Todos Maçons regulares, oriundos das duas potências, também regulares, do nosso Estado: Grande Oriente do Brasil Sergipe, que tem como Grão Mestre Estadual o Eminente Irmão Lourival Mariano de Santana, aqui representado pelo Grão Mestre adjunto, Clairton de Santana; e da Grande Loja Maçônica do Estado de Sergipe, que tem como Sereníssimo Grão Mestre o nosso Irmão Jorge Henrique Pereira Prata.

Academia Maçônica também segue a regra da Academia Francesa de Richelieu, exceto em dois aspectos: no número de membros, pois por simbologia maçônica a AMSACL tem apenas 33 cadeiras, e não 40, como as demais academias. E, também, por ser a primeira Academia que se tem notícias que tem um patrono vivo, no caso o fundador, valoroso irmão José Francisco da Rocha.

Usamos as nossas roupas Acadêmicas, temos as seguintes condecorações: Medalhão Acadêmico, Medalha de Honra ao Mérito e Comenda José Francisco da Rocha – Rochinha, nosso patrono. No mais, segue o modelo francês. É uma instituição altruística, evolucionista, sem fins lucrativos, pugna pelos valores morais e éticos da vivência e convivência entre seus membros e, destes, para com a sociedade.

Tem como finalidade congregar os maçons que se dediquem às artes, ciências e letras; incrementar a difusão da doutrina e dos postulados da maçonaria universal e do ideal maçônico; manter cursos nos campos: educativo, cientifico e cultural; promover concursos, palestras, conferências e mesas redondas; prestar homenagens especiais a pessoas e entidades que se façam merecedoras.

Temos um site onde editamos as nossas notícias, os livros dos acadêmicos e de outros irmãos também, já publicamos um livro sobre a Liga Sergipense Contra o Analfabetismo, da professora Clotildes Farias, da Universidade Federal de Sergipe, e temos um projeto de, já a partir do próximo ano, publicar pelo menos um livro de valor histórico maçônico. E, ainda este ano, vamos publicar a nossa revista da Academia Maçônica de Sergipe.

Apresentei aos senhores o modelo que na concepção dos tempos realmente representa qualquer Academia do Século XXI. Elas, as academias, ou qualquer instituição que vise crescer e fazer algo pelo outro, criadas agora ou há mais tempo, ou se enquadram e se modernizam ou vão ficar tomando espaço e definhando até sucumbir, visto que não há mais interesse...

Como diz a parábola do apocalipse: seja quente ou seja frio, não seja morno, senão eu te vomito. Porque, na vida, ou você está verde e amadurecendo ou maduro e apodrecendo.

Obrigado.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/domingospascoal

Jorge Carvalho e suas mil palavras


Publicado originalmente no Facebook/Amaral Cavalcante, em 30/08/2017.

31 de agosto, no YAZIG!.

Lançamento de livro e exposição fotográfica de Jorge Carvalho do Nascimento:

Jorge Carvalho e suas mil palavras

“O escritor e o fotógrafo utilizam as mesmas ferramentas, mas enquanto um descreve uma imagem com mil palavras o outro descreve mil palavras com uma imagem.” (Jefferson Luiz Maleski).

A fotografia, ao longo da sua história, firmou-se como a arte da síntese e o fotógrafo que se faz arguto expectador da vida em constante transição, tornou-se uma espécie de mago do instante congelando o gesto que se perderá instantes depois, a natureza em sua infinita beleza, as coisas inanimadas que se interpõem entre nós e a estupefação da gente diante disso tudo.

O fotógrafo transita como um colecionador de essencialidades num cenário em mutação, mas só ele se move: sobe montanhas, deita-se na lama, entra no intempestivo rio do nosso dia -a- dia, e, bailarino em incríveis coreografias, pesca o instante clicando para a posteridade o que só vimos de relance. È um pescador de eternidades.

Jorge Carvalho - professor doutor de saberes reconhecidos - entregou-se à paixão pela fotografia e nela vem empregando a mestria do seu discernimento. Sua câmera, tecnicamente manipulada com correção e compromisso estético, revela-nos a necessária sensibilidade de um artista a cuidar, com inteiro respeito pela arte que abraçou, tanto da seleção da cena que lhe despertou a atenção quanto do perfeito enquadramento dela, da luz que a envolve com o um manto de realidade no momento clicado e, principalmente, no seu significado para todos nós.

Nesta sua primeira exposição pública, o fotógrafo Jorge Carvalho nos brinda com uma diversa seleção dos seus trabalhos, todos eles impregnados da sua arguta sensibilidade e apuro técnico, a prometer, na aguardada continuidade da sua preciosa contribuição à arte da fotografia, um considerável legado.

Afinal, Jorge nos revela aqui que não faz uma foto apenas com a câmera, ele sabe que o seu ato fotográfico guarda para a posteridade todos os livros que leu, os filmes que viu, a música que ouviu lhe embalando os primeiros amores, a visão de mundo que os seus pais lhe intuíram e o respeito que nós, os seus contemporâneos, temos, pela sua integridade intelectual.

Agora, é ver.

Amaral Cavalcante.

Texto e imagem reproduzidos do Facebook/Amaral Cavalcante.

sábado, 26 de agosto de 2017

Réquiem para Dr. José Augusto Barreto

Foto: César de Oliveira.
Publicada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Publicado originalmente no Portal Infonet, em 24/08/2017.

Réquiem para Dr. José Augusto Barreto.

Uma louvação à obra e a seu criador.

Por Odilon Cabral Machado.

Com o título “Tudo começou pelo coração”, o Hospital São Lucas fez publicar em 2009 um livro memorial dos seus quarenta anos de existência.

O livro, com pesquisa e texto do intelectual Luiz Antônio Barreto, por sua feitura, concepção, gravura e documentação, é uma contribuição destacada à historiografia sergipana.

Luiz Antônio especializara-se em divulgar e pesquisar as coisas e os homens de Sergipe, procurando semear nas nossas terras áridas o sentimento de sergipanidade que permeia o nosso viver.

Agora, revejo aquele feito notável com o falecimento do médico cardiologista José Augusto Barreto, uma das maiores expressões da medicina sergipana, cuja memória permanecerá como suave saudade, inerente à vida de nossa cidade.

Tudo realmente começou com o coração, como diz aquele livro de Luiz Antônio Barreto, mote de um artigo meu, exibido neste blog em 04/11/2009, de que me sirvo agora por ocasião da inumação deste grande médico.

No início, dizia eu, era uma clínica apenas: “Clínica São Lucas”.

Uma homenagem a Lucas, o apóstolo de Jesus que era médico também, e que se destacaria, sobretudo por curar almas; os doentes do espírito.

Lucas é o evangelista de texto delicado e amoroso, sobretudo com Maria.

É ele que, em palavras terminais do crucificado, fala em perdão, porque nunca sabemos o que fazemos nas nossas imperfeições tão gritantes.

É Lucas, o médico que ouve e proclama uma fraternidade só possível por expressão livre de vontade.

Se é a partir de João que somos irmãos do Cristo, por filhos de Maria, em Lucas temos uma mensagem maior em ternura à mãe comum, inclusive no perdão aos pecadores.

Não estaria aí inserida a ternura do médico, ciente de que possuímos, sem exceção, as mesmas carências diante da dor e do sofrimento, e por isso estamos a necessitar, tanto da cura dos males imateriais quanto daqueles corpóreos, numa carência espiritual bem maior do que física?

Talvez, por ser assim, tudo tenha começado com o coração.

O médico, Dr. José Augusto Barreto se especializara no estudo desta bomba compassiva e compassada, que não pensa, mas que sem pensar, pensa tudo.

Porque o coração sem razão ou com ela, possui razão que a própria razão desconhece.

Pelo menos era assim que pensava Blaise Pascal (“Le coeur a ses raisons que la raison ne connaît point”), para explicar a empatia e os gostos dos homens.

Um brocardo hoje desgastado, que perdeu o seu vigor e grandeza, porque a modernidade revelou que o coração era apenas um músculo; um conjunto de fibras e ligamentos, uma bomba acionada por impulsos elétricos, ditados pelo cérebro, este sim!, o grande pensador cartesiano, o detentor da razão. E até da falta dela!; delimitador da irracionalidade da besta perante a superioridade do homem!

Revelação que até os gostos e os desgostos dos homens passaram a ser explicados por tudo, e até por reação de epiderme, o que é complicado!, ensejando pruridos de desconfortos, ou atrativos de sedução.

Algo tão inerente aos gostos e gozos do ser, que vale até na música e no verso, um corintiano perder por reverso um sofrido coração corintiano, recebendo, por implante ou desplante, um novo coração; corintiano.

Mas, se a compaixão não provém mais do coração, o que dizer da manifestada emoção que o acelera ou retarda, num ritmo sem razão ou sem-razão?

Porque a razão é uma expressão matemática, um quociente entre números inteiros, uma relação causa efeito de simplicidade inserida nos assim chamados números racionais, e estendida ao pensamento.

Ela, a razão, tão previsível e sem surpresas, pressuporia oscilações ou arritmias nas batidas do coração?

E assim em resistência, os homens justificam seus atos, desejos e vontades em função do bom ou mau coração, quando aí não se está falando de cardiopatias, arritmias ou mau funcionamento de válvulas e artérias.

Mas, independente do homem de bom ou mau viver, a missão da Clínica São Lucas imaginada por Dr. José Augusto era prevenir obstruções arteriais, pacificar o descompasso cardíaco, prevenir a dor letal, do bom e do mau coração.

Porque esta é uma tarefa sacerdócio do médico.

Porque a dor e o sofrimento constituem característica do viver.

E é missão do médico lutar contra a agonia e a aflição.

Afinal tudo começa com o coração, como fonte de compaixão e solidariedade. Uma tarefa sacerdócio, exclusiva dos discípulos de Hipócrates, por escolha e desejo.

Por entender assim, ousou Dr. José Augusto Barreto erigir sua clínica, com Lucas tomado como patrono, e seguindo Hipócrates por lema e rumo.

Se Hipócrates representa a assepsia médica, a proficiência, a necessária isenção para poder adentrar nas angústias e fraquezas do ser adoecido e vulnerável, eximindo-se de louros e vantagens, Lucas insere doçura e carinho no tratamento médico.

Assim, sem se desviar do norte hipocrático, nem se arrefecer na compaixão Lucana, eis Dr. José Augusto Barreto merecedor de todos os elogios como notável médico sergipano.

Um médico que ousou sonhar e tornar realidade um hospital moderno em terras tão inóspitas dos apicuns e alagados de Aracaju, justamente nos idos sombrios de 1969.

Um tempo em que a cidade praticamente acabava no fundo da Igreja São José e crescer significava conquistar terras insalubres e lodosas.

Se os historiadores só veem trevas nos idos de 1969, vivíamos então uma época de grandes mudanças.

Naqueles “terríveis tempos sombrios”, Sergipe estava a desfrutar de um notável surto de desenvolvimento.

A criação da Universidade Federal de Sergipe, a descoberta e prospecção do petróleo, a industrialização dos sais evaporitos, a construção do porto, as edificações do complexo amônia-ureia constituíam uma série de investimentos públicos e privados no assim chamado milagre brasileiro, em sua vertente sergipana.

Tempos execrados, por “terríveis”, no vesgo olhar dos que contorcionam a história segundo seu trêfego olhar.

Nunca se vira tanto investimento em terra Serigy, nem mais se veria por aqui.

Mas, a despeito de tantos investimentos realizados, havia uma carência significativa de leitos hospitalares, mesmo porque os antigos Hospitais Santa Isabel, Augusto Leite e São José não conseguiam suprir toda a necessidade de um atendimento moderno, sempre carente de verbas e subvenções públicas.

Havia a necessidade de um hospital particular, um nosocômio que conjugasse a eficiência empresarial com a prestação de serviço eficaz.

Homem progressista e realizador, Dr. José Augusto via que a necessidade justificava o investimento.

Tentou no início um condomínio, uma associação de médicos.

A tentativa não foi adiante. Restou a mera compra de um terreno; um chão miasmático e lodoso a necessitar de terraplenagem e aterros. Um desafio aos conservacionistas e àqueles que veem com suspeita os investimentos privados.

Por outro lado, por desterro e mor sofrimento, naquele tempo não existiam os atuais planos de saúde, democratizando e viabilizando o atendimento médico.

Naquele tempo, o doente quando não era segurado dos diversos institutos, era indigente, carente de tudo, ou tinha que bancar por um serviço melhor qualificado em outras plagas.

Com a chegada da Clínica São Lucas tudo ali começou a mudar; não há alagados, nem miasmas, nem terras insalubres.

Também não há mais a clínica da Rua Stanley Silveira de aparência tranquila e tosca, o germe cristalino inicial.

O Hospital São Lucas substituiu o consultório inicial com ampliação física e acréscimo de serviços. Ocupou todo o trecho fronteando a lateral da igreja São José que do outro lado continuou quase igual.

Se a igreja pouco mudou, ela passou a viver uma espécie de continuidade do hospital, recebendo as preces dos doentes e de seus familiares.

E o complexo hospitalar não para; assumiu outras áreas, ocupando agora o outro trecho.

Viria logo uma passarela para bem melhor servir o usuário da medicina, unido o que não devia estar separado.

Da clínica e do consultório surgiu o hospital. Agora há a Fundação São Lucas, o Centro de Hemodiálise, o Centro de Estudos Técnicos e Profissionalizantes, a Creche Dom Luís Mousinho.

São milhares de servidores e colaboradores! Fala a realidade atual, evidenciando que um maior número ali atuou nos seus quase cinquenta anos de portas sempre abertas.

Quantos médicos, enfermeiros, funcionários, humildes ou qualificados fizeram vibrar aquelas paredes silenciosas e convidativas para o repouso e a cura!?

Quantos doentes frequentaram seus tálamos resgatando forças e sanidade!?

Quantos conseguiram ter minoradas suas dores e sofrimentos!?

Quantos ali morreram nos seus leitos confortados, porque por suprema missão do médico, cabe-lhe também mitigar o último conforto, contemplando a inexorabilidade da parca no encontro jamais ausente!?

Quem não tem algo a lembrar de passagem e permanência sobre os cuidados de Dr. José Augusto e seus liderados neste Hospital que tem sido uma casa de carinhos!?
  
Realmente, tudo começou pelo coração; um estetoscópio, um tensiômetro, um instrumental tosco, uma ideia vigorosa, uma vontade tenaz, uma luta persistente e continuada, um passo mantido numa longa caminhada.

Mas, se o Hospital São Lucas representa vida em nossa terra, dê-se ao seu fundador o maior mérito.

Era ele que em passeio diário por seus corredores dava uma aura de correção, limpeza e eficiência, mostrando na alvura da veste que exibia, a irrepreensibilidade dos que passam pela vida servindo à sua vizinhança, dando-lhe dignidade e esperança.

Por isso vale ressaltar tudo isso em sua despedida do nosso convívio.

Que seja homenageado e louvado o nome do Dr. José Augusto Barreto, o médico que nos deixa uma saudade imensa, merecedor das nossas preces de carinho e agradecimento pelo seu existir.

E nessa oração sejam contemplados todos os que fazem o Hospital São Lucas nas pessoas de seus familiares, Dona Conceição, filhos, netos e bisnetos e ao Dr. Dietich Todt, seu auxiliar e co-fundador.

Sejam louvadas as duas irmãs amigas, Dona Conceição e Dona Nicinha cujas vidas de tão inseridas na missão de cura dos esposos, estão presentes em cada local do hospital como se fora o próprio lar, a sua seara por missão.

Aos filhos que continuam o trabalho de criação nestes quase cinquenta anos passados. Enfim, vida que se prolonga além da vida em lembranças e saudades a merecer nosso carinho e aplauso.

Se tudo nasceu com o coração, e de Pascal se atribui ter o coração razão que a própria razão desconhece, usemos também de Pascal um aforismo por final:

"O prazer dos grandes homens consiste em tornar os outros mais felizes."

O médico José Augusto Barreto e o Hospital São Lucas contribuem com a felicidade sergipana.

Que Deus abençoe a grande alma do Dr. José Augusto Barreto.

Texto reproduzido do site: infonet.com.br/blogs/odilonmachado

Os sinos dobram por José Augusto Barreto

Dr. José Augusto Barreto  
Foto: Antonio Samarone, reproduzida do Facebook/Antonio Samarone.
Postada pelo blog SERGIPE..., para ilustrar o presente artigo.

Publicado originalmente no Portal Infonet, em 24/08/2017.

Os sinos dobram por José Augusto Barreto

Grande orgulho, perguntei-lhe. Respondeu-me: ter sido professor!

Por Lúcio Antônio Prado Dias.

Estávamos em 2009 e o Hospital São Lucas, fundado por ele, comemorava seu 40º aniversário de fundação. Fui encontrá-lo em sua modesta sala na Fundação, num dos andares do complexo que ocupa o quarteirão inteiro no Bairro São José e que cresceu puxando ao seu entorno clínicas e mais clínicas, transformando a região num próspero setor de saúde de Aracaju.

  Queria conversar, contar histórias, a trajetória de um homem de origem modesta, vindo do interior, filho de um agricultor simples de Carira, que arrendou terras em Boquim e depois em Socorro para cultivar cereais e tirar leite de vaca pra vender em Aracaju. Foi em Nossa Senhora do Socorro, em 1928, que nasceu o menino José Augusto. Ainda pequeno, em Salgado, fez o primário, mas logo depois, em Aracaju, ficou interno no Salesiano, até terminar o ginásio. Com quinze anos, transferiu-se para Salvador para cursar o antigo científico no Colégio Maristas, interno no primeiro ano e nos outros dois residindo numa “república”, como era chamada a pensão que abrigava estudantes de várias partes do país.

  Apesar de não ter nenhum na família, o sonho de ser médico veio de menino pequeno. Ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, primaz do Brasil, em 1947, formando-se em 1952. Na época, com raras exceções, sergipano que queria ser médico ia pra Bahia. Como dizia Garcia Moreno, o nosso estado era uma extensão cultural da Bahia. Ele próprio, natural de Laranjeiras, formou-se na Faculdade de Medica do Terreiro de Jesus em 1933, como tantos outros. Mas, antes de partir para o vestibular em Salvador, José Augusto já havia deixado uma paixão secreta que conhecera na cidade de Salgado.

   Cidade onde ocorriam muitos romances porque muitas famílias veraneavam por lá, uma cidade balneária, Salgado era famosa pela sua água e muita gente oriunda de Salvador, Itabuna, Ilhéus e cidades de Sergipe confiavam nas suas qualidades terapêuticas, muito indicada nas “doenças da vesícula”. Foi lá que José Augusto Barreto conheceu Ceça (Maria da Conceição), uma pernambucana cujo pai, fiscal do Banco do Brasil, viera residir em Aracaju com a família e que usava com regularidade as águas terapêuticas de Salgado.

    A decisão pela cardiologia foi tomada por influência direta do médico baiano Adriano Pondé, um dos maiores nomes da cardiologia brasileira na década de 40 e do qual se tornou monitor nos tempos da faculdade. Corria o ano de 1953. Com o anel de doutor no dedo e o diploma na mão, atende convite do Dr. Augusto Leite para substituir o Dr. Gérson Pinto e se instala no Hospital de Cirurgia como interno, morando num pequeno quarto, fazendo o pré e pós-operatório das cirurgias do Dr. Augusto e do Dr. Fernando Sampaio. Passa a ajudar também o colega Júlio Flávio Prado no serviço de eletrocardiografia. São poucos os cardiologistas, além deles existiam ainda os doutores Heráclito Diniz, Geraldo Magela e Marcos Melo...

  No Hospital de Cirurgia, nas décadas de 50 e 60, experimentou uma ascensão meteórica na clínica médica e na cardiologia, com olhos de águia e perspicácia clínica, senhor dos diagnósticos, destacando-se notadamente nos trabalhos do Centro de Estudos até se deslocar para os Estados Unidos da América, inicialmente em 1958, para o Hospital Universitário de Michigan. Nessas idas e vindas, conseguiu o fellowship em cardiologia pela American Heart Association.

    De volta a Aracaju participou de dois momentos marcantes da Medicina sergipana. A fundação da Faculdade de Medicina em 1961, da qual foi professor pioneiro e a luta por um hospital universitário, que o levou às ruas com piquete nas mãos, ao lado de outros colegas, todos de jalecos brancos, para sensibilizar as autoridades sobre a necessidade de uma solução para o ensino médico após o equivocado desligamento da faculdade pelo Hospital de Cirurgia.

  Em 1969, José Augusto Barreto inaugura a Clínica São Lucas, contando com a participação de Dietrich Todt, Fernandes Macedo, Henrique Batista, Gilton Rezende, Geraldo Melo, Raimundo Almeida, Evandro Sena e Silva, Wellington Ribeiro, entre outros. Foram montados os serviços de Raios-X por Aírton Teles, Edson Freire e José Conrado, o laboratório com Raimundo Araújo. Em setembro de 1978, surgiu o Hospital, um sonho distante que se tornou realidade por uma oportunidade de momento, dessas que surgem quando as coisas têm de acontecer.

  “Uma obra edificada pelo sopro da graça de Deus e pelo calor do coração dos amigos que, juntos, atiçaram a chama que acendeu as suas paredes e arquitetou os espaços de fé que cura todas as dores”, nas palavras da poetisa Carmelita Fontes, proclamadas na inauguração do hospital.

   Aracaju hoje é uma cidade grande, cujo rumor sufocou o planger dos sinos. Na pequena Itaporanga dos anos 50, onde morei durante a minha infância, quando os sinos da Igreja de Nossa Senhora d’Ajuda badalavam em triste cadência, geralmente no final da tarde, era o anúncio de que alguém morrera. O badalar dos sinos era o arauto solene da poesia dolorida da morte, como tão bem evocou o escritor Luiz Eduardo Costa, na morte de Garcia e que eu, para encerrar, traduzo para o atual momento.

  José Augusto Soares Barreto, morto nesta semana, não teve mais a sua passagem anunciada e chorada pelos sinos, mas ele, médico, professor, realizador, marido amoroso, pai extremoso, humanista sobretudo, fez em vida muito para merecer que os sinos dobrem pela sua morte. Ele se foi, mas o seu legado permanece triunfante, na glória e na memória de seus descendentes e da sociedade sergipana que o abraçou e que hoje chora, consternada, a sua partida!

Texto reproduzidos do site: infonet.com.br/blogs/lucioapradodias